
O Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) identificou 2.778 casos suspeitos de fura-fila da vacinação contra a Covid-19 no estado. As irregularidades foram encontradas pelo Tribunal durante a análise de dados sobre a vacinação.
As informações foram divulgadas no relatório produzido pelo TCE após analisar a vacinação feita pela Fundação Municipal de Saúde de Teresina, entre 18 de janeiro de 2021 até 23 de abril. Foram fiscalizadas 101.974 doses das vacinas contra a Covid-19 distribuídas pelo Ministério da Saúde para Teresina.
Segundo o relatório, o Tribunal encontrou as seguintes suspeitas de irregularidades: 2.778 casos com indícios de “fura-fila” da vacinação; 4.093 casos de erros relacionados ao intervalo entre doses de vacina; 51% dos vacinados pelo critério “Trabalhadores de Saúde” (Categoria) não possuem registro no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES)
Ainda segundo o relatório, a FMS não possui uma metodologia com critérios claros e objetivos para execução da vacinação, e descumpriu parâmetros definidos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19.
"Por fim, conclui-se que a Fundação Municipal de Saúde de Teresina não planejou as ações de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, dando início à vacinação sem qualquer critério e/ou metodologia para execução das ações referentes à vacinação contra a COVID-19", diz o relatório.
Os dados do levantamento foram encaminhados para outros órgãos para que tomem as medidas necessárias ao caso, como o Ministério Público do Piauí, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e para os conselhos de Medicina (CRM), Fisioterapia (Crefito), de Psicologia (CRP) e Odontologia (CRO). Também foram comunicados a Prefeitura de Teresina, o Governo do Estado e a presidência da Assembleia Legislativa do Piauí, da Câmara de Vereadores de Teresina e do Tribunal de Justiça do Piauí.
'Fura-fila'
O levantamento feito pelo TCE identificou 2778 casos suspeitos de "fura-fila" na vacinação. 58% desses são de pessoas que foram imunizadas durante a vacinação de uma faixa etária que não era a sua. Foram encontrados também registros de pessoas vacinadas sem fazerem parte de nenhum grupo prioritário.
Entre os demais casos suspeitos estão: Profissionais de saúde com registros transferidos ou cancelados junto aos seus conselhos de classe correspondentes. Os profissionais são médicos, fisioterapeutas, psicólogos, auxiliares técnicos em saúde bucal e cirurgiões dentistas. Servidores do Poder Executivo Estadual, servidores da Assembleia Legislativa do Piauí, da Câmara de Vereadores de Teresina, e servidores do poder judiciário lotados no Tribunal de Justiça, no Ministério Público e no próprio Tribunal de Contas do Estado.