
Os motoristas e cobradores de ônibus das empresas Emtracol e Transfácil, do Consórcio Theresina, iniciaram uma paralisação nesta quarta-feira (19), por falta de pagamento dos salários atrasados. Segundo os trabalhadores, há colegas dependendo da doação de cestas básicas e recorrendo a ‘bicos’, para conseguir uma renda extra.
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) disse que tem enfrentado problemas no setor e informou que, com a paralisação dos trabalhadores, 6 ônibus da empresa Emtracol foram impedidos de saírem das garagens. (Confira a nota na íntegra ao fim da reportagem).
O G1 também tentou, mas ainda não conseguiu contato com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito.
De acordo com o secretário de Assistência e Previdência Social do Sindicato dos Trabalhadores Empresas de Transportes Rodoviários (Sintetro), Francisco Souza, apenas 12 ônibus do Consórcio Theresina estão circulando, com a paralisação. Ao todo, a empresa possui 54 veículos e, durante a pandemia, 32 circulam diariamente na capital.
Em entrevista à TV Clube, o cobrador Francisco Carvalho, que trabalha há 11 anos na empresa Emtracol, afirmou que os trabalhadores não recebem remuneração há 5 meses. Em abril, os funcionários teriam assinado um contracheque, que garante o pagamento do salário, mas não chegaram a receber nenhuma porcentagem do valor.
“É uma situação insuportável. Só quem está passando sabe o quanto é difícil acordar de manhã e sua filha dizer que não tem nada pra comer. Alguns trabalhadores têm uma renda extra, eu, por exemplo, estou me virando como Uber, mas tá difícil”, contou Francisco.
O cobrador destacou ainda que o Setut e a Prefeitura de Teresina não têm dialogado com a categoria e que só retornarão ao trabalho se receberem o pagamento.
As empresas afirmaram que, por conta da queda na movimentação de pessoas pela cidade, causada pela pandemia do coronavírus, o faturamento caiu impossibilitando o pagamento dos trabalhadores.
Em abril, empresas do sistema afirmaram ainda que a Prefeitura de Teresina deixou de fazer o repasse do subsídio referente ao preço da passagem de ônibus por 10 meses em 2020. A dívida chegou a cerca de R$ 20 milhões. A Prefeitura aceitou pagar o débito de forma parcelada.
Confira a nota do SETUT:
O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) esclarece que tem enfrentado problemas no setor, como a queda na arrecadação de recursos e redução de passageiros transportados. As dificuldades no sistema atualmente estão aumentando e diante disso, os seis carros da empresa Emtracol, que atende a Zona Sudeste foram impedidos hoje pelo movimento grevista de saírem das garagens.
A entidade reitera que a frota das demais empresas continuam em operação. O Setut informa ainda que está em busca de soluções efetivas para o controle de crise no sistema e que depende de repasses financeiros, vigentes em contrato, da Prefeitura de Teresina, para evitar um colapso no setor.