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Piauí é o 5° estado com mais trabalhadores resgatados em condições análogas a escravidão

De acordo com o MPT, as mais recorrentes denúncias de trabalho escravo, de 2012 a 2019, são por jornada exaustiva, condições degradantes de trabalho, e com impossibilidade de deixar o serviço ou local, além de baixíssima remuneração.

Róbson Ferreira
Por: Róbson Ferreira Fonte: Cidadeverde.com
19/07/2021 às 16h11
Piauí é o 5° estado com mais trabalhadores resgatados em condições análogas a escravidão
Foto: Divulgação/MPT

        Dados alarmantes divulgados, nesta segunda-feira (19), pelo Ministério Público do Trabalho, mostram que o Piauí é o quinto estado do país com o maior número de pessoas resgatadas em condições análogas à escravidão.

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       O levantamento é do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo, do MPT,  e compreende o período de 2016 a 2020. Segundo os dados, foram 284 pessoas resgatadas nessas condições entre estes anos no Piauí. O Estado fica atrás apenas de Minas Gerais (1364), Pará (444), São Paulo (362) e Goiás (317).

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        Entre as cidades piauienses com maiores casos de resgates de pessoas em situação de escravidão, estão Baixa, com 54 casos seguida de Santa Cruz do Piauí, Esperantina e São João da Serra.  Cada município tem mais 20 resgatados nestas condições.

 

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     De acordo com o MPT, as mais recorrentes denúncias de trabalho escravo, de 2012 a 2019, são por jornada exaustiva; condições degradantes de trabalho; e com impossibilidade de deixar o serviço ou local, além de baixíssima remuneração.

SETORES COM MAIS CONDIÇÕES DE ESCRAVIDÃO

     O MPT tem mapeado as atividades econômicas mais propensas a essas condições degradantes e realizado operações para coibir os casos. Os setores econômicos em que mais houve resgatados, de 2016 a 2020, são:

 

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Produção florestal;

 

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Cultivo de soja;

 

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Extração de pedra, areia e argila;

 

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Atividades de apoio à agricultura;

 

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Fabricação de produtos cerâmicos refratários.

 

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PERFIL DOS EXPLORADOS

     Quanto ao perfil das vítimas resgatadas, as funções que tiveram maior incidência, entre 2016 e 2018, foram os de trabalhador agropecuário; trabalhador pecuário; gesseiro; pedreiro; e servente de obras, segundo o MPT. A  maioria das vítimas era do sexo masculino e tinha entre 18 e 24, 30 e 34 e 40 e 44 anos de idade.

      Outro levantamento aponta que cerca de 40% das vítimas não haviam sequer concluído o 5º ano e 15% era analfabeta. Isso comprova que a baixa escolaridade e/ou analfabetismo tornam os indivíduos mais vulneráveis a esse tipo de exploração.

       “Infelizmente, não existem políticas nesse sentido a nível federal, muito menos estadual e municipal. Como consequência disso, o Piauí tem esses dados alarmantes, o que comprova que precisamos de medidas que atuem na prevenção e combate desse crime, e que amparem as vítimas após o resgate delas”, disse o procurador  e Coordenador Regional de Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE),  Edno Moura.

      Sobre os impactos que a pandemia trouxe no aumento desta exploração, o procurador Edno Moura destaca que, mesmo com a redução no número de operações, devido à Covid-19, o MPT tem atuado para manter as fiscalizações.

      “Mesmo com essa dificuldade, foram resgatados 41 trabalhadores em 2020 e cerca de 20 já em 2021. No segundo semestre, com a melhora do cenário, esperamos realizar muitas operações no Piauí e, ao final do ano, teremos o diagnóstico completo da situação do trabalho escravo no estado, além de analisar estatisticamente como a pandemia afetou diretamente na incidência de casos”, explicou.

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