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Fake news sobre doença da "urina preta" prejudica vendas no Mercado do Peixe

O Mercado do Peixe de Teresina tem enfrentado uma forte crise na comercialização dos pescados. Os permissionários do local afirmam que, nas últimas semanas, há o registro de queda de mais de 80% nas vendas.

Por: Redação Fala Piauí Fonte: cidadeverde.com
24/09/2021 às 20h15
Fake news sobre doença da
Foto: Reprodução

O Mercado do Peixe de Teresina tem enfrentado uma forte crise na comercialização dos pescados. Os permissionários do local afirmam que, nas últimas semanas, há o registro de queda de mais de 80% nas vendas. 

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O motivo da redução das vendas é o receio dos clientes em serem contaminados com a chamada “Doença de Haff/Urina preta” junto com notícias falsas sobre o assunto. Ontem (21) a Secretaria do Estado da Saúde emitiu nota informativa de não há nenhum caso suspeito nem confirmado da síndrome no Piauí. 

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No entanto, mensagens compartilhadas em Whatsapp, muitas vezes com conteúdos falsos sobre a doença, tem afastado o consumidor do Mercado. Nesta semana, inclusive, voltou a circular um vídeo de peixe com verme nos olhos que teria infectado 400 pessoas. Trata-se de uma fake news que foi desmentida ainda em 2019 pelo site Boatos.org.

O permissionário Mathuzalem Dantas disse ao Cidadeverde.com que anteriormente vendia cerca de 1.200 Kg de peixe às terças-feiras. Hoje ele vendeu apenas 180 Kg e acredita que as "responsáveis" pela redução da comercialização  são "fakes news" viralizadas nas redes sociais. 

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“O Mercado do Peixe tem sentido muito a falta da venda de peixe. Eu chegava a vender uma média de 7 mil quilos de tambaqui por semana. Agora caiu para 1.200 kg com essas notícias falsas”.  Em 4 anos sendo permissionário do mercado, é a primeira vez que Mathuzalem vê as vendas caírem tanto. Ele afirma que os peixes são acondicionados de forma adequada e não oferecem risco à saúde do consumidor. 

“É um prejuízo muito grande. Pra mim as vendas diminuíram uns 90%”, acrescenta. 

O permissionário Andrade Pereira, que vende peixes no Mercado desde 1997, também está sofrendo a queda nas vendas.  “Temos quedas acentuadas há duas semanas. É uma perda muito grande, eu nunca tinha visto como agora”, afirma.

Churrasco de peixe

Para tentar atrair clientes, os permissionários do Mercado realizarão, nesta sexta-feira (24), um churrasco grátis de peixe. Quem for poderá comer o pescado assado a partir das 9h. 

“Terá peixe assado à vontade. É uma forma de atrair consumidores e chamar atenção das autoridades para esta crise”, acrescenta Mathuzalem.

O administrador do Mercado do Peixe, Franscico Macedo, diz que o “churrasco de peixe” seguirá os protocolos sanitários. 

“Esse festival é uma manifestação dos permissionários do Mercado do Peixe, no intuito de atrair clientes, uma vez que, depois destas informações sobre a doença da Urina Preta, eles se afastaram e houve uma queda de 50% nas vendas. Não vamos fazer nada que não seja aprovado pela Vigilância Sanitária, e já cumprimos, normalmente, todos os protocolos exigidos para a segurança alimentar dos munícipes e orientados pelos epidemiologistas, em relação ao acondicionamento do pescado. O Piauí ainda não registrou nenhum caso”, Francisco  Macedo.

Doença da urina preta

A Secretaria de Estado da Saúde, através do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Piauí (CIEVS-PI), publicou nota alertando a população sobre o crescente número de casos suspeitos de Doença de Haff/urina preta em alguns estados da Federação. A nota é de cunho informativo, uma vez que o Piauí não registra nenhum caso suspeito ou confirmado da doença.

A doença de Haff, causado pela ingestão de peixes ou crustáceos contaminados, deixa a urina com coloração escura, provoca dores musculares e insuficiência renal, já foi diagnosticada em pelo menos sete Estados brasileiros, dentre eles Amazonas, Bahia, Ceará e Pará. Os sintomas aparecem de duas a 24 horas após o consumo dos alimentos contaminados.

De acordo com a nota do Cievs, a contaminação se dá por meio de uma toxina que pode ser encontrada em peixes como o tambaqui, badejo, piratinga, arabaiana ou em crustáceos, como a lagosta, caranguejo e o camarão. A toxina, sem cheiro e sem sabor, surge quando o peixe não é guardado e acondicionado de maneira adequada.Segundo a coordenadora de Epidemiologia da Sesapi, Amélia Costa, o Cievs está monitorando os casos ocorridos em outros estados com o objetivo de antecipar as ações com maior eficiência em prol da segurança alimentar da população piauiense. De acordo com a coordenadora, o pescado proveniente de empreendimentos que promovam boas práticas de manejo e manipulação, tanto na produção, quanto na sua comercialização, não representam riscos.

No entanto, a epidemiologista alerta que é importante o consumidor observar a forma que o pescado está acondicionado. “Esses alimentos devem sempre ser guardados em baixa temperatura, e consumidos o mais breve possível após sua compra, evitando deixá-los muito tempo na geladeira, já que as condições sanitárias são importantes para evitar contaminação”, garante Amélia Costa.

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