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Ex-capitão Allisson Wattson é condenado a 17 anos de prisão por matar Camilla Abreu

Allison Wattson alegou que o tiro em Camilla Abreu foi acidental. Como já está preso há quatro anos, o ex-capitão deve cumprir mais 13 anos de prisão. Família mostrou insatisfação com "pena branda".

Por: Redação Fala Piauí Fonte: G1
25/09/2021 às 10h59
Ex-capitão Allisson Wattson é condenado a 17 anos de prisão por matar Camilla Abreu
Foto: Reprodução

O ex-capitão da Polícia Militar Allison Wattson da Silva Nascimento foi condenado a 17 anos e seis meses de prisão pela morte da namorada Camilla Pereira de Abreu, de 21 anos, em outubro de 2017. O julgamento de Allisson Wattson começou na sexta-feira (24) e encerrou na madrugada de sábado (25), na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Teresina.

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O júri teve início às 9h (24) e terminou à 1h da madrugada de sábado (25), no Fórum Cívil e Criminal, comandado pela juíza Rita de Cássia da Silva, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. O promotor de acusação do caso foi João Benigno Filho, que teve como assistente as advogadas de acusação Ravenna Castro e Carla Oliveira. Na defesa do réu estavam os advogados Francisco de Assis Silva e Daniella Carla Gomes Freitas.

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Os jurados consideraram o ex-PM culpado pela morte com a presença das qualificadoras de feminicídio e motivo fútil, além de outros dois crimes: ocultação de cadáver e fraude processual. A pena foi fixada em 17 anos, mas o capitão já está preso há quatro. Portanto, deve cumprir mais 13 anos de reclusão pelo crime.

Em depoimento, o acusado alegou que o tiro em Camilla Abreu foi acidental. Segundo ele, a vítima pegou a sua arma entre os bancos do carro e ao tentar desarmá-la o revólver disparou. O júri considerou que o crime foi doloso: com intenção.

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Família e polícia consideram pena branda

Para a família da vítima, a pena foi um "tapa na cara", considerando baixo o tempo que o capitão deve permanecer em reclusão. O pai de Camilla, Jean Carlos, disse ao g1 que a família tem interesse de recorrer da sentença.

"A gente sabe como funciona, daqui poucos anos ele deve estar solto e vivendo a vida dele normalmente, enquanto a minha filha perdeu tudo. Já estaria formada, trabalhando, talvez com filhos... Só quem perde nessa situação é quem morre. Achamos a pena muito injusta", declarou.

Para o delegado Francisco Costa, o Barêtta, coordenador do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa, as provas obtidas pela polícia na investigação foram contundentes ao mostrar que o ex-capitão teve a intenção de matar a namorada e de ocultar o corpo da jovem. Ele considerou que a sentença é um "estímulo" para outros crimes.

"Essa sentença acaba sendo um estímulo para a prática criminosa. Ele não matou a Camilla no [povoado] Mucuim, matou no [bairro] Alto da Ressurreição e levou [o corpo] até o povoado. Ele mesmo levou a polícia onde deu o tiro, mostrou o percurso que fez no carro, onde escondeu o corpo. Ele inclusive foi no outro dia para conferir se o corpo estava lá, está tudo nos autos desse processo", lamentou o delegado.

Acusado alegou disparo acidental

O acusado disse que saiu de um bar com a namorada e uma amiga dela. Primeiro, teria deixado a amiga dela em casa e depois seguido para o apartamento da namorada, mas no caminho ela falou que não queria dormir lá.

Segundo ele, a estudante de direito sugeriu um programa diferente e eles seguiram para o Povoado Mucuim, onde desceram do carro para namorar e, após uma discussão, teria ocorrido o disparo que matou Camilla Abreu.

"Descemos para namorar, houve um assunto que não me agradou. No momento que a Camilla foi entrar no carro, ela pegou a minha arma entre os bancos do carro. Eu tentei dar a volta no carro, conversar, tirar a arma dela, que estava alterada, não sei se por conta da bebida. Eu dei um golpe para desarmá-la, a arma disparou e o disparo pegou na cabeça dela. Tinha muito sangue, desse momento pra frente eu perdi a razão. Fiquei estático", declarou Allisson Wattson.

Allison contou que Camilla Abreu estava em pé do lado da porta do passageiro e após o tiro caiu do lado de fora do veículo. O acusado diz que tentou segurar o corpo da namorada, depois a colocou dentro do carro, porque ela não respondia.

"Entrei em choque, coloquei ela no carro, mas era tanto sangue. Estava amanhecendo, deixei a Camilla no chão e fui para casa, desliguei o celular. Fiquei sem dormir, pensei em tirar a minha própria vida. Depois disso tomei um calmante, fui no quartel devolver a arma, porque não queria ela perto de mim", contou o acusado.

O ex-capitão falou que procurou um advogado, que o aconselhou a se livrar do carro, porque ninguém acreditaria nele. Allison confirmou ter levado o carro para lavar e tentou trocar o banco, que estava sujo de sangue de Camilla, e que pretendia transferir a documentação do veículo.

O corpo de Camilla foi encontrada cinco dias após do crime. A família da vítima chegou a registrar o desaparecimento da jovem no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).

Testemunha descreveu comportamento abusivo do ex-PM

A primeira testemunha a ser ouvida no julgamento foi Luana Regina de Sousa, que era amiga de Camilla, a última a ter contato com a vítima horas antes do crime, em um bar onde foram Luana, vítima e acusado.

O advogado de defesa do ex-namorado de Camilla, Francisco de Assis Silva, pediu que a testemunha não fosse ouvida alegando que ela tinha “amizade íntima” com a vítima. Mas, o pedido foi indeferido pela juíza.

Chorando muito, Luana começou a ser ouvida falando dos últimos momentos em que esteve com Camilla antes de seu desaparecimento e depois contou como era o relacionamento entre a vítima e acusado.

Ela afirmou que o relacionamento durou cerca de dez meses e, antes dela morrer, o namoro era abusivo, com agressões físicas e psicológicas. Na noite do crime, segundo ela, o acusado acompanhava Camilla até quando a vítima ia ao banheiro do bar, como se monitorasse a jovem.

A defesa do acusado acusou a jovem de ter mentido durante o julgamento, sobre ligações recebidas por ela partindo dos telefones do acusado e de Camilla no dia do crime.

A jovem disse não lembrar-se exatamente dos horários das ligações recebidas, por isso não tinha como afirmar sobre os horários e quantas ligações havia recebido. Também questionada sobre onde o corpo de Camilla foi encontrado, a jovem não soube responder a pergunta e se emocionou bastante.

Neste momento, o depoimento precisou ser interrompido por cerca de 15 minutos, porque Luana chorava muito. Ela finalizou o julgamento afirmando não saber onde e como o corpo de Camilla havia sido encontrado.

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