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Na convivência diária, Márcio Guedes ía além do jornalismo esportivo

Sergio du Bocage faz relato da amizade de 35 anos com comentarista

Por: Redação Fala Piauí Fonte: Agência Brasil
04/03/2023 às 16h20

Por muito pouco não trabalhei junto com Márcio Guedes na TV Manchete: saí dias antes de ele ser contratado. A gente se via muito no dia a dia dos clubes, mas éramos apenas dois jornalistas que se conheciam. Até que veio a Olimpíada de Seul, em 1988, e ali a gente se aproximou mais.

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Eu estava pelo Jornal dos Sports, e ele pelo Dia, e nos encontrávamos no centro de imprensa para enviarmos nossas matérias para o Rio de Janeiro. Dali em diante a amizade se estreitou. Eu já trabalhava na TVE do Rio quando Márcio participava como convidado no programa Debate Esportivo. Em 2001, ele foi contratado pela emissora para apresentar a mesa de debates denominada "Ataque" - referência ao caderno de esportes com mesmo nome no jornal O Dia. Na época ele me convidou para continuar no programa, cuidando da interatividade. Pronto, agora a rotina de encontros era quase diária. E assim foi até dezembro passado, quando ele participou do último programa, repaginado como No Mundo da Bola da TV Brasil, analisando a final da Copa.

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Escrevi isso para compartilhar um pouco do que convivi com ele, porque o Márcio era muito mais que um comentarista esportivo. Também curtia e falava de cinema. Ele era o cara simpático e boa praça, sempre sorridente e disposto a contar uma piada, ou a fazer uma pergunta de duplo sentido, da qual ele mesmo era o primeiro a rir. De mãos grandes, gesticulava muito, provocava, com humor refinado. Era sempre divertido participar de uma discussão na redação, quando o assunto, claro, era inevitavelmente futebol. As mãos também eram um “problema”. Certa vez, um seguidor do Facebook provocou, dizendo que ele não incluía pontuação nos textos. E ele veio reclamar comigo. “Eu tenho a mão grande, o teclado do telefone é pequeno, eu passo por cima da pontuação. O cara vem reclamar, fala sério! É só não ler”, desabafo

Lembro de Márcio como um galã. Olhos verdes, um bigodão que chamava a atenção. Era vaidoso e gostava de ser comparado com artistas de cinema. O ator Tom Selleck era o preferido dele, mas muitos o viam como Charles Bronson. Topava as brincadeiras e foi assim que começou o desafio de todos os domingos, quando perguntava em que estado ficava a cidade de onde o telespectador do No Mundo da Bola mandava a mensagem. Ele chegou a ganhar uma apostila com os nomes de todas as cidades, como se ele fosse estudar.

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Vamos sentir muita falta, muita mesmo. Da minha parte são 35 anos de amizade, de aprendizado, de carinho. Foi uma honra muito grande ter dividido bancada com ele.

* Sergio du Bocage é apresentador do programa No Mundo da Bola, da TV Brasil.

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