O Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) emitiu uma decisão, em Diário Oficial publicado nesta terça-feira (17), que suspende temporariamente os estágios finais do processo de licitação para a compra de 80 ônibus usados para o transporte público em Teresina. Assim, os gestores municipais envolvidos estão proibidos de realizar a compra até que o TCE emita uma decisão final.
O parecer foi tomado após o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) apresentar questionamentos sobre a eficácia da compra de ônibus usados e o financiamento por meio de empréstimos. O Sindicato solicitou a suspensão do pregão eletrônico, que terá início às 9h desta quarta-feira (18).
Procurados pelo g1, o Sindicato optou por não se posicionar e a gestão municipal ainda não se manifestou sobre o caso.
O TCE optou por não suspender integralmente o processo de licitação, mas decidiu interromper temporariamente os estágios finais do processo, sendo a escolha do vencedor da licitação, aprovação e a celebração do contrato. A Prefeitura de Teresina não poderá concluir a compra dos ônibus seminovos até que o TCE realize uma análise detalhada da situação.
No relatório, o Setut informa que o município de Teresina ignora completamente a decisão expressa pelo Tribunal, que suspendia a compra de ônibus em razão do não cumprimento dos contratos entre a PMT e as concessionárias da capital. O pregão atual é no valor de R$ 50.542.908,87 para adquirir os veículos seminovos.
“É uma clara tentativa de burlar o que já foi decidido, com o lançamento de uma nova licitação, mas para o mesmo objeto, alterando apenas o fato de que antes eram ônibus novos, agora usados, o que só agrava a situação, pois certamente atenta contra o interesse público gastar R$ 50.000.000,00, que é o valor da licitação, para colocar ônibus usados a disposição da população”, declara o Sindicato no relatório.
O Setut declara ainda que a fonte de recursos para a compra vem de um empréstimo junto ao Banco Regional de Brasília e afirma que o Município não possui recursos para a compra dos ônibus.
O Tribunal contrasta essa declaração com informações presentes no edital de licitação, que justifica a compra dos ônibus seminovos com base na necessidade de aumentar a frota para atender à demanda de passageiros, especialmente durante os horários de pico.
No entanto, o relatório complementar de análise técnica indica que uma redução de 10% do "TMV" (Tarifa Média de Vendas) levaria à necessidade de menos ônibus do que o planejado no edital. Além disso, isso poderia resultar em economia nos custos em cerca de R$ 1.150.000,00 mensais.