
O prejuízo aos cofres públicos causados com o desvio de recursos destinados ao combate ao novo coronavírus na cidade de União, no interior do Piauí, pode ultrapassar R$ 165 mil. A informação foi repassada pelo superintendente da Controladoria Regional da União no Piauí, Glauco Soares Ferreira, em entrevista coletiva virtual sobre a operação Naclo deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13). A investigação apura o superfaturamento na compra de água sanitária usada para higenizar a cidade no combate ao novo coronavírus.
"Com base no sobrepreço, o prejuízo é de R$ 165 mil e pode ser ainda maior porque o fornecimento da água sanitária não teria se dado conforme foi repassado pelo município. Também constatamos que a empresa não tinha condições de oferecer os 30 mil litros de água sanitária, mesmo que o único contrato que tivesse fosse com a prefeitura", reitera Ferreira.
Allan Reis de Almeida, chefe da Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros, explica ainda que dos 6 mil galões que a prefeitura alega ter comprado foram encontrados apenas 2.636 unidades entre cheios e vazios
"Além disso, essa quantidade de galões é desproporcional para uma cidade com apenas 45 mil habitantes", pontua o delegado que chama atenção para outro fato que causou estranheza. "Em abril deste ano, a mesma empresa forneceu um galão de água sanitária a R$ 12", destaca.
Até o momento não houve prisão e nem há indícios de participação do prefeito da cidade. O alvo das buscas foram a casa do secretário de saúde Narcíso Chaves, a casa do presidente da comissão de licitação da prefeitura de União, a casa e a empresa do vencedor da licitação.
"Apreendemos contratos, notas fiscais que supostamente comproam a entrega do material e mídias", disse Allan Reis de Almeida.