
A Polícia Federal realizou na manhã desta sexta-feira (28) buscas na sede do Portal ClubeSat, que fica na avenida Frei Serafim, e , também, na sede do Partido PSC no Piauí, no bairro Ilhotas. As primeiras informações dão conta que os 14 mandados de busca e apreensão no local tem relação com o afastamento do governador do estado do Rio De Janeiro (RJ), Wilson Wiltzel (PSC).
Vale lembrar que o presidente do PSC no PIAUÍ, Valter Alencar (PSC), ocupou cargo jurídico no Governo do Rio de Janeiro, e também é um dos proprietários do portal Clube Sat.
Entenda o caso: O caso envolve o advogado Valter Alencar, que foi candidato derrotado ao governo do Piauí pelo PSC em 2018, e atualmente é pré-candidato a prefeitura de Teresina também pelo PSC. O empresário, no início de 2019 foi nomeado como assessor especial do governador do Rio.
O pedido de inquérito aponta que esses funcionários seriam parentes ou teriam algum tipo de ligação com Valter Alencar e com o PSC. Dentre eles estão um filho de Alencar e sobrinhos dele. A investigação aponta indícios de que eles teriam mantido suas atividades no Piauí, como empregos remunerados, o que reforçaria a suspeita de que seriam fantasmas.
A investigação ressalta que somente a nomeação de Valter Alencar tem ligação direta com o governador do Rio de Janeiro. As demais nomeações, dos funcionários ligados a Alencar, foram feitas por secretários do seu governo, segundo informações do Diário Oficial. O inquérito não aponta atos específicos de Witzel em favorecimento ao aliado.
Procurado pelo O Globo, Alencar confirmou ter feito indicações ao governo, mas negou que os funcionários fossem fantasmas. Todos os envolvidos foram procurados no início da tarde, mas os demais não retornaram até o momento.
A PGR diz que os funcionários nomeados "possuem claros vínculos com Valter Ferreira de Alencar Pires Rebelo, que, por seu turno, possui vínculos estreitos com Wilson Witzel". "Essas informações preliminares dão suporte, com larga margem de folga, a instauração de inquérito para que se possa aprofundar na apuração dos fatos, haja vista a presença de indícios consistentes de supostos crimes de peculato, a partir da nomeação de servidores fantasmas e, eventualmente, organização criminosa e lavagem de dinheiro", escreveu a PGR.
A investigação mostra que Valter Alencar atuou na equipe de transição e passou por diversas funções na gestão estadual desde janeiro do ano passado, quando Witzel assumiu o cargo, com salários líquidos que variaram entre R$ 11,2 mil e R$ 14,8 mil. Em 25 de março, o governador nomeou Valter Alencar para o cargo de assessor especial da Governadoria. Ele também chegou a presidir a Comissão Consultiva de Programação e Controle de Despesas do Estado do Rio (Coderj), órgão ligado à Casa Civil, e participou de um grupo de trabalho de estudos sobre o Maracanã. Alencar deixou a administração em agosto.
A suspeita contra ele surgiu por meio de um relatório feito pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) e remetido para a PGR. O TCE do Piauí detectou que um funcionário com vínculos com o governo piauiense foi nomeado para exercer cargo na gestão de Witzel. Em seguida, o relatório do TCE apontou indícios de que outros indicados para a gestão estadual do Rio teriam mantido vínculos com o Piauí, como contratos de trabalho em empresas locais e endereços residenciais no estado. Todas teriam ligação com Valter Alencar. A partir do material, a PGR fundamentou seu pedido de abertura de inquérito.
Todas as sete nomeações citadas no inquérito da PGR constaram na folha de pagamento do governo do Rio. Somados, os salários recebidos por esses assessores pelo período em que aparecem na folha chegaram a aproximadamente R$ 200 mil. Um dos filhos de Valter Alencar recebeu salário mensal de R$ 12 mil pela Secretaria da Fazenda. Outros dois sobrinhos de Alencar também foram nomeados como assessores da Casa Civil, com salários brutos entre R$ 8.500 e R$ 10 mil. As nomeações dos citados foram publicadas no Diário Oficial do Rio na primeira quinzena de janeiro de 2019. Eles deixaram o governo entre os meses de julho e agosto. Um outro sobrinho de Alencar trabalhou em um órgão do governo do Rio, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), com salário de R$ 10 mil mensais.
Questionada sobre os funcionários "fantasmas" trabalharam de forma efetiva nos órgãos, a assessoria do governador do Rio de Janeiro respondeu: "Atendendo às determinações de transparência, austeridade e lisura da atual gestão, o governo do Estado do Rio de Janeiro informa que está à disposição para contribuir com qualquer investigação", diz a nota.
Procurado pela reportagem do O Globo, Valter Alencar confirmou ter feito indicações de nomes para trabalhar na gestão estadual, mas afirma que todos efetivamente trabalharam.
“Fui convidado à equipe de transição pelo Witzel e depois assumi cargos importantes no Rio, mas em agosto eu entendi que deveria continuar minha caminhada para o governo do Estado (do Piauí). Algumas pessoas, não sei nem quantas, eu apresentei currículos, que são pessoas tecnicamente preparadas. Algumas delas foram convidadas pelos respectivos gestores. Tenho certeza que correspondendo e trabalhando todas elas, não tenho a menor dúvida, porque eram áreas estratégicas e importantes”, declarou Alencar.
Um dos sobrinhos que aparecem na folha de pagamento do governo Witzel e consta como funcionário da Secretaria de Educação do Piauí (afirmou à reportagem que trabalhou presencialmente no governo do Rio e que, nesse período, não recebeu remuneração do governo piauiense. Outros procurados não responderam.