
Durante coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (02), a delegada da Polícia Federal, Mariana Parenhas, informou que o valor superfaturado no esquema de desvio de recursos destinados à Covid-19 em Teresina, foi o mesmo valor que o governo do Estado gastou para construir o Hospital de Campanha do Verdão.
A delegada Milena Silva, informou que estão em curso dois inquéritos que apuram as irregularidades na Fundação Municipal de Saúde (FMS). Segundo ela, foram encontradas notas fiscais com valores inconsistentes.
As investigações apontam graves divergências entre a quantidade comprada e aquela efetivamente fornecida à FMS, bem como alterações na especificação dos produtos e margem de lucro excessiva (de até 419%), injustificável mesmo em tempos de pandemia. Estima-se que o lucro bruto obtido seja de aproximadamente R$ 4.500.000,00, valor suficiente para a construção de um hospital completo de campanha.
No que se refere às distribuidoras de medicamentos, a Controladoria Geral da União (CGU) informou que os valores obtidos através de contratos irregulares geraram um lucro de R$ 190 mil para uma das distribuidoras, cuja sócia é servidora da FMS.
Ainda de acordo com as investigações, não foram identificados parentesco em relação à sócia com a FMS, em relação a ressarcimento serão buscados junto aos órgãos competentes.
As buscas e apreensões aconteceram nas empresas Distrimed, na Avenida Odilon Araújo, bairro Piçarra, zona Sul de Teresina, e na Fermaq, na Avenida Miguel Rosa.
Caligo é um termo extraído do latim e significa névoa. A escolha do nome da operação deu-se em referência à ausência de publicidade de contratos, empenhos, pagamentos investigados nos portais de transparência.