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Repercussão nacional: hospital investiga se pacientes de Covid eram dopados no Piauí

Profissionais de saúde estariam dopando pacientes para 'dormirem' durante plantão.

Por: Redacao Fonte: Uol
05/09/2020 às 17h58
Repercussão nacional: hospital investiga se pacientes de Covid eram dopados no Piauí
O Hospital Regional Justino Luz, no município de Picos, no Piauí. Imagem: Fundação Piauiense de Serviços Hospitalares/Divulgação

Um comunicado do setor de enfermagem do Hospital Regional Justino Luz, no município de Picos, no Piauí, afirma que profissionais estariam, supostamente, dopando pacientes em tratamento contra a covid-19. Os funcionários que atuam na seção ministrariam as doses aos doentes para que possam dormir por mais tempo durante o plantão na unidade hospitalar. O documento foi assinado em 31 de agosto de 2020 pelas coordenações de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e enfermarias de covid-19 do hospital. As enfermeiras que elaboraram o comunicado interno foram exoneradas dos cargos após a declaração ter chamado a atenção do público nos últimos dias.

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O UOL tentou contato com as profissionais que assinaram o documento, mas não teve resposta. A direção do hospital informou que está apurando as declarações para que providências cabíveis sejam tomadas. A instituição também alega que o afastamento das funcionárias aconteceu porque elas não respeitaram o fluxo hospitalar. As profissionais também não repassaram as supostas denúncias para a direção antes de elaborarem o documento, fixando-o no setor. O comunicado afirma que ocorreram "denúncias dos próprios pacientes conscientes e orientados, e de outros profissionais, que pacientes estão sendo dopados durante a noite para que haja um tempo de descanso maior." O texto informa também que "todos sabem que a divisão de horários para o plantão de 12h é apenas 1 h, de acordo com a lei da CLT (consolidação das Leis do Trabalho)" e ameaça que "caso haja horas maiores de descanso serão descontadas no salário, pois iremos acompanhar pela monitorização das câmeras".

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A carta afirma ainda que foi observado que a equipe de enfermagem estaria se ausentando das funções, passando "horas no celular, seja no posto ou no refeitório, deixando setores descobertos". São relatados ainda problemas com a alimentação de pacientes, sugerindo que profissionais estariam consumindo as refeições destinadas aos doentes. "Todos os pacientes conscientes e orientados ou em uso de SNG [sonda nasogástrica] ou SNE [sonda nasoenteral] deverão ser estimulados a realizar todas as refeições e que lhes sejam entregues todas as comidas destinadas aos mesmos. A comida do paciente vem destinada a ele, não aos profissionais", afirma o comunicado.

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O informativo relata também supostos problemas como perda de documentos de pacientes que deveriam constar no prontuário. Os pedidos feitos ao setor de almoxarifado devem ser autorizados pelas coordenadoras "pois estão fazendo pedidos exorbitantes e desnecessários", afirma a carta. O texto finaliza com ameaças de demissão caso os funcionários não cumpram as regras elencadas no documento. Em nota, o Hospital Regional Justino Luz afirmou que "se trata de uma situação insólita para a instituição". Assim, as denúncias serão apuradas "pelos setores responsáveis do hospital e órgão afins, de forma que a transparência e a ética dessa instituição, que tantas vidas salvas todos os dias na regiao de PIcos e microrregião, nao seja maculada.

O centro informou ainda que "respeita a autonomia do exercício dos profissionais de saúde, jamais impondo restrições que impeçam a liberdade para execução com eficiência do trabalho destes, ao mesmo tempo em que coordena de forma ética o bom funcionamento de todos os setores para que não haja nenhum dano aos pacientes internados na instituição". O Hospital Regional Justino Luz destaca que o comunicado não foi protocolado na direção da unidade e que "reitera à sociedade o cuidado com a assistência correta a todos pacientes que nesta instituição são internados, desde a primeira avaliação até a execução correta de todos os tratamentos necessários para a boa evolução dos doentes". A iinstituição afirmou também que nenhum paciente foi prejudicado e, como não há nenhuma denúncia formal, "as investigações precisam ser cautelosas, para não expor de forma imprudente os colaborados supostamente envolvidos.".

O Hospital Regional Justino Luz destaca que o comunicado não foi protocolado na direção da unidade e que "reitera à sociedade o cuidado com a assistência correta a todos pacientes que nesta instituição são internados, desde a primeira avaliação até a execução correta de todos os tratamentos necessários para a boa evolução dos doentes". A instituição afirmou também que nenhum paciente foi prejudicado e, como não há nenhuma denúncia formal, "as investigações precisam ser cautelosas, para não expor de forma imprudente os colaborados supostamente envolvidos.".

Diretor do hospital, Tércio Luz, reforçou, em vídeo enviado ao UOL, que a instituição atua de "forma ética e correta de todas as condutas aplicadas, zelando sempre pelo bem final, que é a melhora e a cura dos nossos pacientes".

"Isso se reproduz, por exemplo, no número de altas hospitalares que conseguimos em uma situação de pandemia, que trouxe à tona uma emergência de saúde pública de uma infecção pelo novo coronavírus, doença essa tão grave que, apesar das dificuldades impostas pela pandemia, conseguimos o número de altas de mais 220 pacientes", afirma o diretor. "Isso não seria possível se não tivéssemos o setor organizacional construído, bem definido, com coordenações que fazem o papel de organizar escalas de seus profissionais e fazer com que todos os tratamentos sejam feitos da forma mais ética", completa.

Luz afirma ainda que o documento "não respeitou os fluxos" do hospital, o "que é comum a todos os documentos que fazem parte da instituição". Por isso, afirma o diretor, as enfermeiras foram afastadas dos cargos. "A direção não tomou ciência antes que esse documento tivesse sido veiculado em grupos de WhatsApp e na imprensa em geral. A direção reitera que zelará sempre pelo bom princípio e ética de todos os pacientes internados nesta instituição", finalizou o diretor do hospital.  

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