
Pesquisadores chineses levantaram a hipótese de que coronavírus possa permanecer no salmão resfriado por mais de uma semana, fazendo com o que o alimento se torne uma ponte de infecção. As informações são do site Bloomberg, que citou pesquisa publicada nesse domingo e ainda não revista por pares. Segundo os estudiosos da South China Agricultural University e da Guangdong Academy of Agricultural Sciences em Guangzhou o SARS-CoV-2, o vírus que causa o Covid-19, coletado em amostras de salmão, pode sobreviver por oito dias a 4 graus. Essa é aproximadamente a temperatura em que os peixes são transportados.
“Peixes contaminados com SARS-CoV-2 de um país podem ser facilmente transportados para outro país dentro de uma semana, servindo assim como uma das fontes de transmissão internacional”, disseram os pesquisadores ao site. As autoridades chinesas têm investigado carnes, embalagens e recipientes importados como uma fonte potencial de Covid-19 desde junho.
Casos investigados e OMS: Em agosto, autoridades chinesas anunciaram que detectaram o coronavírus responsável pela Covid-19 em um controle de rotina de frango importado do Brasil, o maior produtor mundial, e pela segunda vez em camarões procedentes do Equador. No mesmo dia, o comando da Organização Mundial de Saúde (OMS) foi questionado sobre isso. "Vamos continuar a monitorar descobertas como essa, mas não há evidência de que o alimento ou a cadeia de alimentos esteja participando na transmissão desse vírus", afirmou o diretor executivo da entidade, Michael Ryan.
As pessoas devem ser sentir "confortáveis e seguras" sobre isso, comentou. "Há muitas outras razões para que protejamos e devamos cozinhar nossa comida de modo adequado", lembrou. "Mas eu acho que não devemos colocar a Covid como um risco nessa área." Também presente na coletiva, a líder da resposta da OMS à pandemia, Maria Van Kerkhove, disse que a entidade está ciente sobre os relatos "Se o vírus estiver dentro da comida - e não temos exemplos do vírus sendo transmitido como alimento consumido - ele pode ser morto, como outros, se a comida for cozida", lembrou.
Infectologistas também questionaram o caso pelas condições desfavoráveis de reprodução e sobrevivência do vírus e praticamente descartam a hipótese de infecção via alimento."No meio tempo em que você está engolindo a comida, o vírus teria que conseguir entrar em uma célula da garganta para te infectar. Teoricamente, isso é possível se houver uma carga viral muito grande, mas é improvável. Além disso, o ácido do estômago neutraliza o vírus", explicou o infectologista Max Igor Lopes, do Centro de Infectologia do Hospital Sírio Libanês. "O reservatório principal do vírus é a pessoa infectada. A infecção direta (ao ter contato com gotículas respiratórias de pessoas contaminadas) é mais perigosa que a indireta (por meio de objetos e alimentos)", defendeu.