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PNE: para debatedores, redução da desigualdade e educação infantil são prioridades

Durante a audiência pública promovida pela Comissão de Educação (CE) nesta segunda-feira (7), especialistas defenderam a redução da desigualdade no...

Por: Redação Fala Piauí Fonte: Agência Senado
07/10/2024 às 16h28
PNE: para debatedores, redução da desigualdade e educação infantil são prioridades
A audiência pública, remota, foi promovida pela Comissão de Educação (CE), que é presidida pelo senador Flávio Arns credito=

Durante a audiência pública promovida pela Comissão de Educação (CE) nesta segunda-feira (7), especialistas defenderam a redução da desigualdade no ensino e o foco na educação infantil como metas prioritárias para a próxima década. O tema do debate foi o projeto de lei que institui o novo Plano Nacional de Educação - PNE para o período de 2024 a 2034: o PL 2.614/2024 .

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Esse projeto ainda tramita na Câmara dos Deputados, mas tem sido discutido no Senado por iniciativa de Flávio Arns (PSB-PR), que é o presidente da Comissão de Educação. A audiência desta segunda-feira, realizada de forma remota, foi conduzida por Arns. Esse foi o sétimo de um total de 10 debates promovidos pela CE.

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Metas

Gerente de políticas educacionais do Movimento Todos pela Educação, Manoela Miranda lembrou que das 20 metas estabelecidas no atual PNE (2014-2024) , apenas quatro foram cumpridas — e parcialmente. Para ela, o novo plano precisa priorizar a redução das desigualdades, tanto no acesso como na oferta da qualidade do ensino. Manoela Miranda considerou o projeto apresentado pelo Ministério da Educação um “ponto de partida sólido”, mas identificou nas avaliações dos últimos anos que é possível ajustar as metas a um plano de execução mais realista.

Entre os pontos positivos do texto, ela destacou o estabelecimento de metas específicas para redução das desigualdades e o foco transversal na qualidade. No entanto, ela destacou como pontos passíveis de aprimoramento a necessidade de manutenção do monitoramento constante do PNE para "confirmação ou mudança de rotas" e o preenchimento de lacunas de dados para definição de indicadores.

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— O desafio de universalizar a educação pública com qualidade e equidade para todos os brasileiros envolve esforços concentrados e uma continuidade de políticas educacionais que tenham bons resultados. Portanto, o PNE é um importantíssimo instrumento político que define nortes e aponta caminhos para a educação, mas é preciso que esse acompanhamento e monitoramento contínuos aconteçam, para garantir que, de fato, as políticas sejam formuladas e implementadas para o alcance dessas metas — observou.

Educação infantil

Os debatedores destacaram a importância do investimento e da prioridade na educação infantil como ponto de partida e estruturação de toda a política educacional. Para vários deles, se o plano refletir a necessidade de mudar e avançar desde os anos iniciais, todo o processo de educação se torna "mais fluido e eficiente".

Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, destacou que o último PNE avançou apenas em 10% no acesso à creche e à pré-escola, quando a meta era o avanço de 50%. O texto do novo PNE apresenta uma meta de 60%, número criticado por Luz. Para ela, a meta deve ser a de atingir toda a demanda.

— A gente acha que só aumentar dez pontos percentuais do que foi a última meta (que não foi atingida, inclusive) não atende à questão da especificidade da demanda. Então, a nossa recomendação seria revisitar essa recomendação, para que a meta seja que os municípios atendam à demanda manifesta, lembrando que a gente já tem uma lei que exige que a demanda seja manifestada pelos municípios. E a gente agora recomenda que haja uma estratégia definida, um instrumento nacional para que o levantamento dessa demanda aconteça.

A Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, explicou ela, recomenda que o novo PNE leve em consideração, para ampliar o acesso e a qualidade na educação infantil e nas creches, as demandas únicas e específicas de cada município. E que, como estratégia, o plano adote instrumentos que permitam a transparência e a eficácia desse levantamento.

Apesar de a frequência ser obrigatória, atualmente há 441 mil crianças fora da escola, e os mais impactados, segundo Mariana Luz, são os mais pobres e as crianças que vivem em regiões remotas. Dentre os 20% mais pobres, de acordo com dados apresentados por ela, 31% das crianças frequentam as creches, enquanto que, dos 20% mais ricos, 56% estão matriculados. Mariana Luz ainda ressaltou os números relativos à qualidade do ensino nessa etapa.

A estimativa é que mais de 2,3 milhões de crianças de 0 a 3 anos estão fora da creche por problemas de acesso e 98% das turmas de creche e pré-escola enfrentam problemas na inclusão e na acessibilidade de crianças com deficiência. Ela observou que é preciso atenção nas metas para avanço do acesso e melhoria da qualidade buscando a equidade, priorizando realmente os mais vulneráveis e levando em consideração as famílias cadastradas no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal), além do incentivo à busca ativa para reduzir a evasão.

— Na transição de uma etapa para outra, que é da creche para a pré-escola, se a gente pensar do ponto de vista econômico, uma mãe que tem uma criança na creche o dia inteiro, e depois, na pré-escola, não tem com quem deixá-la, no período da manhã ou da tarde, isso é um desastre para as famílias em situação de baixa renda, do ponto de vista da aprendizagem, que é o foco aqui da escola, mas também do ponto de vista socioeconômico, de toda a sua inserção, de toda a sua convivência. A escola é um espaço de proteção, de segurança alimentar, de proteção física, de combate à violência, e, no caso dos seus cuidadores, é uma oportunidade de eles continuarem inseridos no mercado de trabalho. Isso é determinante para muitas famílias. Então, fica nossa defesa absoluta aqui para que isso aconteça.

Qualidade e universalização

Vinicius Sales dos Santos, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e integrante do Comitê Diretivo do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil, concordou com Mariana Luz. Priorizar a educação de zero a seis anos, segundo ele, pode definir como será o desenvolvimento nas demais fases e, por esse motivo, deve ter atenção do plano. Ele defendeu que não apenas seja atendido os 100% de acesso da demanda municipal, mas também que o novo PNE deve garantir a integralidade da qualidade do ensino, garantida por um sistema eficaz de avaliação.

— O que então, para a gente projetar esse novo Plano Nacional de Educação, o que eu considero que são pontos importantes? Se a gente está falando de qualidade, a gente precisa ter regras de mensuração dessa qualidade. E aí a inserção, a reconstrução do debate público da Avaliação Nacional da Educação Infantil (Anei) é salutar para um bom desenvolvimento desse plano no que diz respeito à Meta 1.

O projeto de criação do novo PNE estabelece como Meta 1 ampliar a oferta de educação infantil para atender, no mínimo, 60% das crianças de até três anos ao final da vigência do plano, e universalizar o acesso à pré-escola ao final dos dez anos.

Articulação

Na opinião da coordenadora-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, o projeto do PNE apresenta avanços ao trazer uma perspectiva mais transversal de explicitação da igualdade e equidade ao longo das metas. Mas ponderou sobre algumas evoluções que, segundo ela, precisam constar no texto como metas mais vinculadas a agenda de direitos; sobre a necessidade de explicitar melhor como o plano de desenvolvimento econômico e social viabilizará as metas e estratégias do novo PNE; além de defender o Plano Nacional de Educação como um “sustentáculo” para os planos subnacionais.

— A gente precisa ter essa preocupação em mente, porque já existe uma mobilização para construir bases de planos municipais e estaduais, em vez de se pensar em um tempo de análise mais aprofundada dos territórios, para já tentar construir junto com o plano nacional. E a gente precisa que os planos estaduais e municipais possam ser instrumentos também de cumprimento do plano nacional nos territórios. Então, a gente precisa também atentar para esse alerta, para que a gente não coloque a carroça na frente dos bois, para os planos estaduais e municipais seguirem esse Plano Nacional de Educação.

Sistema Nacional de Educação

O senador Flávio Arns também reforçou a necessidade dessa articulação do plano nacional com os planos estaduais e municipais. Ele afirmou que isso será possível com a aprovação do projeto que institui o Sistema Nacional de Educação (SNE).

— E, para que isso aconteça, para que tudo tenha efeito, já foi levantada também, aqui nesta audiência pública e em outras, a importância de um Sistema Nacional de Educação, para que isso possa ser bem articulado, pactuado, negociado permanentemente para que estados, municípios e União tenham claramente definidas as suas responsabilidades em relação a cada aspecto do plano.

A criação do Sistema Nacional de Educação (SNE) está prevista no PLP 235/2019 , projeto de lei complementar apresentado pelo próprio Flávio Arns, que já aprovado no Senado. Esse projeto alinha as políticas, os programas e as ações da União, do Distrito Federal, de estados e de municípios, em articulação colaborativa dos entes da federação na área educacional.

Educação profissional

Felipe Morgado, superintendente de educação profissional e superior do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), manifestou a posição convergente da instituição em relação ao texto. Ele disse que o Senai considera que a proposta acerta ao priorizar a educação básica, já que esse ponto é um dos maiores gargalos da educação no país, assim como a questão da valorização dos profissionais da área e o aumento do investimento em infraestrutura das unidades escolares.

Em relação à educação profissional, Felipe Morgado elogiou a meta do novo PNE que busca atingir 50% dos estudantes do ensino médio em articulação com a educação profissional, além de ampliar 50% dessa modalidade para o Ensino de Jovens e Adultos (EJA).

— Os países, praticamente do mundo inteiro, estão apostando na educação profissional como uma alternativa para o cenário do trabalho incerto. E isso por quê? Porque o jovem desenvolve a habilidade de aprender a aprender; ele desenvolve a habilidade de aprender a fazer. Conforme vão surgindo as tecnologias, ele vai aprendendo a estudar, a ter uma aprendizagem continuada ao longo da vida.

Como contribuição, Felipe Morgado sugeriu que as instituições que trabalham com dados, como o DataSenado , estudem a possibilidade de realizar pesquisas para medir o impacto econômico do novo PNE e, no caso do cumprimento das metas relativas à educação profissional tecnológica, de avaliar como será o reflexo no mundo do trabalho.

Segundo ele, atualmente 80% dos trabalhadores da indústria no Brasil tiveram processo de capacitação por meio da educação profissional. Para ele, o PNE pode acelerar o processo de adaptação da educação profissional e tecnológica às incertezas do mercado de trabalho.

Novo PNE

O novo PNE, previsto no PL 2.614/2024 , possui diretrizes para os próximos dez anos, cria 58 metas para a educação, com 252 estratégias para alcançá-las. Atualmente, vigora o PNE 2014-2024, que foi prorrogado até 31 de dezembro de 2025.

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