Notícias Piauí
Namorado do influenciador Lokinho mudou bruscamente de faixa antes de atropelar e matar mulheres na BR-316, conclui laudo da PRF
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista Stanlley Gabryell passou da faixa esquerda para a direita sem nenhum elemento à frente que forçasse a manobra. Ele atropelou duas mulheres, que morreram, e duas crianças, que ficaram feridas.
21/10/2024 09h24
Por: Redação Fala Piauí Fonte: G1
Foto: Reprodução

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) concluiu o laudo pericial da colisão que matou duas mulheres e feriu duas crianças na noite de 7 de outubro deste ano, na BR-316, Zona Sul de Teresina. Segundo a polícia, o motorista Stanlley Gabryell, namorado do influenciador Lokinho, mudou bruscamente de faixa e atropelou os pedestres. Conforme a polícia, a atitude comprova o dolo eventual e negligência na direção.

Para o delegado Carlos César, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Trânsito (DRCT), o laudo da PRF é mais uma “prova contundente” do dolo eventual na direção - ou seja, ele assumiu o risco do ato cometido e suas prováveis consequências.

Conforme o inspetor Isaías Segundo, da PRF, a perícia fez uma análise no local do acidente e nos vídeos coletados para determinar a dinâmica do atropelamento. Na mudança de faixa, o carro passou da esquerda para a direita sem nenhum elemento à frente que forçasse a manobra.

“Os pedestres estavam no bordo da pista, fazendo o trajeto na contramão do fluxo, de forma correta, preconizada pela legislação de trânsito, quando foram atropelados”, afirmou o inspetor.

O inspetor disse ainda que o teste do bafômetro demorou a ser feito devido ao tumulto que se formou após o acidente. Em meio à confusão, o mecânico Tiago Henrique do Nascimento, de 38 anos, que havia descido de seu veículo para tentar ajudar as vítimas, foi baleado e morto.

Quando o teste pôde finalmente ser realizado, a concentração de álcool no corpo de Stanlley era de 0,04 mg/L, o que não indica um nível de infração ou crime de trânsito. Com base nisso, a polícia não pôde afirmar categoricamente que ele dirigia sob efeito de álcool.

O delegado Carlos César acrescentou que, além do laudo da PRF e do emitido pelo Instituto de Criminalística (Icrim), a Polícia Civil do Piauí (PCPI) está fazendo uma perícia audiovisual de outros vídeos para estimar a velocidade em que o veículo vinha.

"Temos vários vídeos passando por perícia audiovisual para estimar se o carro estava acima de 60 km/h, a máxima regulamentada para a rodovia”, acrescentou o delegado.

O delegado apontou que a mudança de faixa sem necessidade demonstra uma “direção sem objetividade e com negligência”. Ele relembrou que Stanlley Gabryell não tinha habilitação para dirigir, assim como Lokinho, e assumiu o risco de causar o acidente.

Indiciamento

A Polícia Civil indiciou, em 15 de outubro, o influencer Pedro Lopes Lima Neto, de 19 anos, conhecido como Lokinho, e seu namorado, Stanlley Gabryell Ferreira de Sousa, de 18 anos, pelo atropelamento que deixou duas pessoas mortas e uma criança ferida na BR-316, Zona Sul de Teresina. Segundo a Delegacia de Repressão a Crimes de Trânsito (DRCT):

As vítimas do acidente foram Marly Ribeiro da Silva, de 40 anos, que morreu em uma ambulância a caminho do Hospital de Urgência de Teresina (HUT), e Kassandra de Sousa Oliveira, que faleceu no local do acidente.

A filha de Kassandra, Maria Suely Oliveira Rocha, de 11 anos, está em coma e respirando por aparelhos, enquanto a irmã da garota, Maria Alice de Sousa Oliveira, de 2 anos, teve ferimentos leves e foi liberada do hospital.

Inconsistências

Os dois suspeitos foram ouvidos em 15 de outubro pelo delegado Carlos Cesar Camelo, titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Trânsito (DRCT), que encerrou o inquérito.

"Em meio as investigações coletamos alguns vídeos e essas imagens apresentaram algumas situações que mereciam esclarecimento por parte deles", explicou.

Segundo o delegado, era Stanlley quem estava dirigindo o carro, mesmo sem habilitação. Mas um dos vídeos obtidos pela Polícia mostrava tanto Stanlley como Pedro Lopes saindo pela porta do motorista após o acidente. Primeiro sai Stanley e, minutos depois, sai o Pedro.

Questionados sobre isso, os suspeitos disseram que o influencer estava no banco do carona, mas depois do atropelamento, passou para o banco do motorista, para manobrar o carro para fora da BR, já que estava no meio da pista.

Ainda segundo o delegado, outros vídeos que capturaram que o carro trafegava de forma estranha pela pista, antes do atropelamento. Sobre isso, os dois não conseguiram explicar o que houve.

"Outro vídeo mostra, a cerca de 50 metros antes do local do atropelamento, o veículo freando e mudando de faixa bruscamente, minutos antes do acidente. Queríamos saber se houve algum acontecimento dentro do carro que tivesse propiciado o crime. Nesse momento, os interrogados, disseram que não sabiam explicar, deram respostas meio vagas", afirma o delegado Carlos.

Stanlley foi preso ainda no dia do atropelamento, e Pedro Lopes foi preso no dia seguinte, mas por conta de uma investigação sobre divulgação de jogos de azar, no âmbito da segunda fase da Operação Jogo Sujo.

Dolo eventual: quando se assume o risco

Na decisão que converteu a prisão em flagrante do suspeito em preventiva, o juiz Caio Cezar Carvalho de Araújo apontou que Stanlley sabia que dirigir sem carteira de habilitação é crime e, mesmo assim, resolveu assumir a direção do carro. Interrogado pela polícia, o jovem também teria dito que “foi tudo muito rápido” e “não havia nada que o fizesse desviar o veículo”.

“A declaração do autuado [...] demonstra que ele assumiu o risco de causar um acidente grave ao conduzir o veículo sob tais condições. Em juízo, Stanlley afirmou que não estava no celular e não gravava vídeos para suas redes sociais. Isso nos leva a crer que, possivelmente, o autuado tenha tentado assustar a família que caminhava próximo à pista, quando a atingiu em cheio”, escreveu o juiz. A Justiça acrescentou que o suspeito dirigia um veículo de médio/grande porte e mudou bruscamente de faixa, em alta velocidade, em direção às vítimas. Um vídeo de câmera de segurança registrou o momento exato em que ele atropela as mulheres e crianças na rodovia.

Assim, a Justiça reclassificou a conduta de homicídio culposo e lesão corporal culposa - quando não há intenção de matar - para homicídio doloso e lesão corporal dolosa - quando há intenção de matar.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Portal Fala Piauí (@falapiaui)