

Depois de quatro recusas diferentes, o Cruzeiro anunciou seu novo treinador nessa quinta-feira (15/10). Depois da demissão de Ney Franco, Lisca, Felipão, Umberto Louzer e Marcelo Chamusca disseram “não” à Raposa. No entanto, o pentacampeão pela Seleção Brasileira voltou atrás e aceitou assumir o cargo.
O Metrópoles relembra a saga dos mineiros na busca por um técnico e os desafios que o experiente Luiz Felipe Scolari irá enfrentar: Quando o Cruzeiro apresentou Ney Franco, em 9 de setembro, após a saída de Enderson Moreira, o presidente Sérgio Santos Rodrigues comentou ter entrado em contato com Roger Machado, Dorival, Felipe Conceição, Eduardo Barroca e até tentado a volta de Rogério Ceni. O treinador do Fortaleza recusou regressar à Raposa.
Ney ficou no cargo por sete jogos. Foram duas vitórias (contra Vitória e Ponte Preta), um empate (diante o Oeste) e quatro derrotas (para o CSA, Avaí, Cuiabá e Sampaio Corrêa) na Série B. Em 11 de outubro, ele foi demitido e, desde então, o Cruzeiro está sem treinador efetivo. Não faltaram opções, mas estão sobrando “não”s. O primeiro foi de Lisca, ex-Ceará que atualmente treina o América-MG, também da Série B. Depois, a tentativa foi Luiz Felipe Scolari, que está sem clube desde quando deixou o Palmeiras, no fim de 2019, mas também negou o Cruzeiro.
Umberto Louzer da Chapecoense foi o tiro que passou mais perto que os outros, chegando a ser dado como certo, com direito até a anúncio pronto por parte do clube mineiro. Mas Louzer acabou voltando atrás e desistiu de deixar o comando do Verdão do Oeste, vice-líder da 2ª divisão do Brasileirão. Nessa quinta-feira (15/10), foi a vez de Marcelo Chamusca, comandante do Cuiabá, negar o cargo na Raposa. Segundo o Globoesporte.com, a proposta salarial superou a quantia atual, mas mesmo assim Chamusca não aceitou abandonar o time que é líder disparado da Série B, com 32 pontos.
Por fim, Felipão aceitou a oferta do clube e assinou contrato para até o fim de 2022. Aos 71 anos, quase 72 — faz aniversário em 9 de novembro —, ele terá pela frente um dos maiores desafios de sua carreira.
Problema por todos os lados: As dívidas do clube são as principais responsáveis. Foram elas que desencadearam todos os outros grandes problemas. Ainda em maio deste ano, a Fifa decidiu punir o Cruzeiro por um débito com o Al-Wahda, da Arábia Saudita, pelo empréstimo do volante Denílson. Foi definido que o clube começaria a campanha na Série B com seis pontos negativos. Em setembro, a entidade internacional impôs outra penalidade ao Cruzeiro e proibiu o clube de registrar novos jogadores. Dessa vez, a punição ocorreu pela dívida referente à contratação de Willian Bigode, por 1 milhões de euros, ao FC Zorys-UCR.
Assim, o clube, que tem vendido, emprestado e liberado muitos jogadores para tentar aliviar as despesas e quitar as dívidas, está com o elenco escasso. São poucas opções de alto nível e o investimento nos jogadores da base levou o time a ter 13 jogadores com idade abaixo de 20 anos. Por falar em elenco, outro problema que certamente fez os treinadores não aceitarem as propostas do Cruzeiro foi o atraso de pagamentos. O mês de agosto foi quitado somente no fim de setembro, e este também está pendente.
O resultado de tudo isso é visto dentro de campo. Em 15 jogos disputados na 2ª divisão, o Cruzeiro tem cinco vitórias, três empates e sete derrotas, um aproveitamento de 40%. A pressão da torcida é grande e as chances de o clube voltar à elite ficam cada vez mais difíceis de serem enxergadas. Um levantamento publicado pelo Globoesporte.com mostra que, após 15 rodadas, nenhum time com a pontuação abaixo de 19 conseguiu terminar a temporada entre os quatro primeiros. O Cruzeiro tem apenas 12 e dentro dessa margem, dos que somaram menos de 19 até então, estão outros sete times: Vitória e Brasil de Pelotas, com 18; Guarani com 17; Náutico com 15; Botafogo-SP e Figueirense com 14; e, na lanterna, Oeste, com apenas sete.