O terror, o suspense e o thriller ganharam ainda mais força na Bienal do Livro Rio 2025. Um dos nomes que chamou a atenção dos leitores foi o do escritor recifense Landerson Rodrigues, que, aos 33 anos, já acumula três livros publicados e uma legião de leitores apaixonados por suas tramas cheias de mistério, reviravoltas e críticas sociais. Nesta entrevista exclusiva para nosso portal, o autor falou sobre sua trajetória, os desafios de ser um escritor independente no Brasil, sua experiência na Bienal, além de comentar sobre os próximos projetos e o panorama do mercado literário nacional.
Natural de Recife, Landerson conta que sua relação com a literatura começou de forma bastante inusitada. Em 2014, ganhou de presente de Natal da irmã o livro Garota Exemplar, da autora Gillian Flynn, e ao ler aquele enredo cheio de reviravoltas, se apaixonou pelo gênero. Foi ali que surgiu a inspiração para escrever seu primeiro romance, O Monstro Atrás da Porta. O processo de escrita durou dois anos e oito meses, entre altos e baixos, até que, em 2018, a obra finalmente ganhou sua primeira edição. Desde então, ele não parou mais. Hoje, soma três títulos publicados: O Monstro Atrás da Porta (2018), Perfeita Imperfeição (2022) e O Doce Veneno da Serpente (2025), todos ambientados na capital pernambucana.

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Embora seus livros sejam obras de ficção, Landerson faz questão de incluir em suas histórias temas sociais relevantes como machismo, racismo, depressão, suicídio, corrupção, guerra de classes, preconceito e relacionamentos abusivos. Seus enredos, destinados ao público adulto, transitam majoritariamente pelo terror e seus subgêneros — suspense, horror, thriller e mistério — mas o autor já adianta que pretende explorar outros caminhos, como ficção científica, drama e distopia.
A participação na Bienal do Livro Rio 2025 foi, segundo ele, uma experiência indescritível. Landerson afirma que estar em um evento dessa magnitude é uma oportunidade única, tanto pela visibilidade quanto pela chance de encontrar leitores que realmente se identificam com suas obras. Ele descreve a melhor sensação como sendo justamente esse contato com o público, conversando com quem aprecia histórias de suspense, terror e mistério, e percebendo seus livros ganhando espaço nas prateleiras dos leitores.
O retorno do público foi mais do que positivo. O autor relata que ficou impressionado com a receptividade. Segundo ele, participar da Bienal foi muito especial justamente porque conseguiu atingir seu público-alvo de forma direta. O leitor que ama histórias policiais, de suspense e terror é um leitor que busca ser surpreendido, e suas obras oferecem exatamente isso. A cada vez que ele se aproximava de um leitor interessado nesse gênero, o resultado era uma venda concreta. “Me surpreendeu de forma extremamente positiva saber que minha história estava indo para a mão da pessoa certa”, contou, com orgulho.

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Apesar do sucesso, Landerson não ignora os desafios de ser escritor no Brasil, especialmente na condição de autor independente. Ele já teve a experiência de trabalhar com uma pequena editora e conhece bem as diferenças entre esse modelo e o caminho da autopublicação. Para ele, as grandes editoras oferecem vantagens consideráveis, como alcance massivo, grandes investimentos em marketing e estratégias personalizadas que ajudam a obra a chegar no público certo. Ele deixa claro que, se tivesse essa oportunidade, a abraçaria com entusiasmo. Por outro lado, trabalhar com pequenas ou médias editoras pode ser desafiador, pois o alcance é menor e boa parte do trabalho de divulgação e marketing recai sobre o próprio autor, que ainda precisa dividir os lucros obtidos com as vendas.
Porém, a independência também tem seu lado positivo. Landerson valoriza muito a liberdade criativa que esse modelo proporciona. No caminho independente, ele tem total controle sobre sua obra e recebe 100% do valor das vendas. Claro que, como ele mesmo destaca, o trabalho é infinitamente maior: cabe ao autor cuidar de absolutamente tudo, desde o registro do livro, revisão, criação da capa, diagramação, ficha catalográfica, emissão de ISBN e código de barras até o próprio marketing e distribuição. Mesmo assim, ele garante que ama ser um autor independente, justamente porque o resultado final sai exatamente como ele imaginou, sem interferências externas.
Quando o assunto é o mercado literário nacional, Landerson é sincero e realista. Ele observa que o Brasil ainda está longe de ser uma nação leitora, especialmente fora dos grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo. A adesão à leitura, segundo ele, é baixa e isso dificulta a disseminação da literatura. Uma das principais barreiras, na visão do autor, é o fato de que o livro, no Brasil, não é visto pela maioria como um produto desejável. Essa percepção, muitas vezes, é passada de geração em geração, o que contribui para que a leitura não seja valorizada como deveria. Ainda assim, ele tem notado que, nos últimos anos, o interesse pelos livros tem aumentado, o que o deixa otimista quanto ao futuro.

Dentro do gênero que escolheu trilhar, Landerson acredita que há muito espaço para crescer. Embora o terror e seus subgêneros não tenham uma base de leitores tão grande quanto gêneros como o romance hot, por exemplo, ele percebe uma expansão significativa da literatura policial e de mistério, que tem crescido de forma avassaladora nos últimos anos. Isso, para ele, é extremamente animador, pois significa que há um público cada vez mais aberto a consumir esse tipo de conteúdo e, consequentemente, mais espaço para autores que trabalham com essas temáticas.
E se engana quem pensa que ele vai diminuir o ritmo após a Bienal. Landerson já está de olho nos próximos passos. No segundo semestre deste ano, ele começa a trabalhar na produção de uma trilogia de distopia e ficção científica, com uma pegada de horror futurista. Segundo ele, esse é um desafio gigantesco, mas os dois primeiros volumes já estão escritos e apenas aguardando o momento certo para serem revisados e lançados.
Por fim, Landerson faz questão de agradecer aos leitores que o acompanham e apoiam seu trabalho. Ele se diz extremamente grato por cada mensagem, cada retorno e cada demonstração de carinho. Para quem sonha em também se tornar escritor, ele deixa um conselho claro e direto: é preciso força, comprometimento, resiliência e muito estudo. “Entrar no mercado editorial é um trabalho difícil e árduo. Requer renúncia, autocontrole e dedicação total. Não é fácil, mas é possível,” finaliza.
Seus livros estão disponíveis tanto em formato físico quanto digital, e podem ser adquiridos pelos links:
• O Monstro Atrás da Porta — Físico | E-book
• Perfeita Imperfeição — Físico | E-book
• O Doce Veneno da Serpente — Físico