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De Recife para o Brasil: Landerson Rodrigues celebra sucesso na Bienal do Livro Rio 2025 e revela os desafios de ser autor independente
O processo de escrita durou dois anos e oito meses, entre altos e baixos, até que, em 2018, a obra finalmente ganhou sua primeira edição.
23/06/2025 12h53
Por: Jucelma Sales Fonte: Ascom
(Foto: Reprodução)
O terror, o suspense e o thriller ganharam ainda mais força na Bienal do Livro Rio 2025. Um dos nomes que chamou a atenção dos leitores foi o do escritor recifense Landerson Rodrigues, que, aos 33 anos, já acumula três livros publicados e uma legião de leitores apaixonados por suas tramas cheias de mistério, reviravoltas e críticas sociais. Nesta entrevista exclusiva para nosso portal, o autor falou sobre sua trajetória, os desafios de ser um escritor independente no Brasil, sua experiência na Bienal, além de comentar sobre os próximos projetos e o panorama do mercado literário nacional.
 
Natural de Recife, Landerson conta que sua relação com a literatura começou de forma bastante inusitada. Em 2014, ganhou de presente de Natal da irmã o livro Garota Exemplar, da autora Gillian Flynn, e ao ler aquele enredo cheio de reviravoltas, se apaixonou pelo gênero. Foi ali que surgiu a inspiração para escrever seu primeiro romance, O Monstro Atrás da Porta. O processo de escrita durou dois anos e oito meses, entre altos e baixos, até que, em 2018, a obra finalmente ganhou sua primeira edição. Desde então, ele não parou mais. Hoje, soma três títulos publicados: O Monstro Atrás da Porta (2018), Perfeita Imperfeição (2022) e O Doce Veneno da Serpente (2025), todos ambientados na capital pernambucana.

 
Embora seus livros sejam obras de ficção, Landerson faz questão de incluir em suas histórias temas sociais relevantes como machismo, racismo, depressão, suicídio, corrupção, guerra de classes, preconceito e relacionamentos abusivos. Seus enredos, destinados ao público adulto, transitam majoritariamente pelo terror e seus subgêneros — suspense, horror, thriller e mistério — mas o autor já adianta que pretende explorar outros caminhos, como ficção científica, drama e distopia.
 
A participação na Bienal do Livro Rio 2025 foi, segundo ele, uma experiência indescritível. Landerson afirma que estar em um evento dessa magnitude é uma oportunidade única, tanto pela visibilidade quanto pela chance de encontrar leitores que realmente se identificam com suas obras. Ele descreve a melhor sensação como sendo justamente esse contato com o público, conversando com quem aprecia histórias de suspense, terror e mistério, e percebendo seus livros ganhando espaço nas prateleiras dos leitores.
 
O retorno do público foi mais do que positivo. O autor relata que ficou impressionado com a receptividade. Segundo ele, participar da Bienal foi muito especial justamente porque conseguiu atingir seu público-alvo de forma direta. O leitor que ama histórias policiais, de suspense e terror é um leitor que busca ser surpreendido, e suas obras oferecem exatamente isso. A cada vez que ele se aproximava de um leitor interessado nesse gênero, o resultado era uma venda concreta. “Me surpreendeu de forma extremamente positiva saber que minha história estava indo para a mão da pessoa certa”, contou, com orgulho.

Apesar do sucesso, Landerson não ignora os desafios de ser escritor no Brasil, especialmente na condição de autor independente. Ele já teve a experiência de trabalhar com uma pequena editora e conhece bem as diferenças entre esse modelo e o caminho da autopublicação. Para ele, as grandes editoras oferecem vantagens consideráveis, como alcance massivo, grandes investimentos em marketing e estratégias personalizadas que ajudam a obra a chegar no público certo. Ele deixa claro que, se tivesse essa oportunidade, a abraçaria com entusiasmo. Por outro lado, trabalhar com pequenas ou médias editoras pode ser desafiador, pois o alcance é menor e boa parte do trabalho de divulgação e marketing recai sobre o próprio autor, que ainda precisa dividir os lucros obtidos com as vendas.
 
Porém, a independência também tem seu lado positivo. Landerson valoriza muito a liberdade criativa que esse modelo proporciona. No caminho independente, ele tem total controle sobre sua obra e recebe 100% do valor das vendas. Claro que, como ele mesmo destaca, o trabalho é infinitamente maior: cabe ao autor cuidar de absolutamente tudo, desde o registro do livro, revisão, criação da capa, diagramação, ficha catalográfica, emissão de ISBN e código de barras até o próprio marketing e distribuição. Mesmo assim, ele garante que ama ser um autor independente, justamente porque o resultado final sai exatamente como ele imaginou, sem interferências externas.
 
Quando o assunto é o mercado literário nacional, Landerson é sincero e realista. Ele observa que o Brasil ainda está longe de ser uma nação leitora, especialmente fora dos grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo. A adesão à leitura, segundo ele, é baixa e isso dificulta a disseminação da literatura. Uma das principais barreiras, na visão do autor, é o fato de que o livro, no Brasil, não é visto pela maioria como um produto desejável. Essa percepção, muitas vezes, é passada de geração em geração, o que contribui para que a leitura não seja valorizada como deveria. Ainda assim, ele tem notado que, nos últimos anos, o interesse pelos livros tem aumentado, o que o deixa otimista quanto ao futuro.
 

Dentro do gênero que escolheu trilhar, Landerson acredita que há muito espaço para crescer. Embora o terror e seus subgêneros não tenham uma base de leitores tão grande quanto gêneros como o romance hot, por exemplo, ele percebe uma expansão significativa da literatura policial e de mistério, que tem crescido de forma avassaladora nos últimos anos. Isso, para ele, é extremamente animador, pois significa que há um público cada vez mais aberto a consumir esse tipo de conteúdo e, consequentemente, mais espaço para autores que trabalham com essas temáticas.
 
E se engana quem pensa que ele vai diminuir o ritmo após a Bienal. Landerson já está de olho nos próximos passos. No segundo semestre deste ano, ele começa a trabalhar na produção de uma trilogia de distopia e ficção científica, com uma pegada de horror futurista. Segundo ele, esse é um desafio gigantesco, mas os dois primeiros volumes já estão escritos e apenas aguardando o momento certo para serem revisados e lançados.
Por fim, Landerson faz questão de agradecer aos leitores que o acompanham e apoiam seu trabalho. Ele se diz extremamente grato por cada mensagem, cada retorno e cada demonstração de carinho. Para quem sonha em também se tornar escritor, ele deixa um conselho claro e direto: é preciso força, comprometimento, resiliência e muito estudo. “Entrar no mercado editorial é um trabalho difícil e árduo. Requer renúncia, autocontrole e dedicação total. Não é fácil, mas é possível,” finaliza.
 
Seus livros estão disponíveis tanto em formato físico quanto digital, e podem ser adquiridos pelos links:
• O Monstro Atrás da Porta — Físico | E-book
• Perfeita Imperfeição — Físico | E-book
• O Doce Veneno da Serpente — Físico