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Teresina e outras duas capitais do Brasil podem sofrer desastre ambiental se não fecharem seus lixões, aponta entidade

Especialistas cobram urgência na desativação dos lixões e alertam para impactos ambientais e sociais graves

Por: Redação Fala Piauí Fonte: A10+
06/07/2025 às 20h44
Teresina e outras duas capitais do Brasil podem sofrer desastre ambiental se não fecharem seus lixões, aponta entidade
reprodução

Teresina está entre as três capitais brasileiras com maior risco de desastre ambiental causado pela permanência de lixões em operação. O alerta foi feito por Pedro Maranhão, presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), que também aponta Goiânia (GO) e Manaus (AM) como cidades em situação crítica.

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De acordo com Maranhão, essas capitais precisam transferir urgentemente a destinação dos resíduos sólidos para aterros sanitários. Ele defende que, mesmo com leis em vigor, como a Lei de Resíduos Sólidos, que completa 15 anos em agosto e determina o fim dos lixões, a omissão do poder público tem perpetuado práticas que oferecem graves riscos ao meio ambiente e à saúde pública.

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Em Teresina, a preocupação aumentou após a morte de David Cauã da Silva Costa, de 12 anos, atropelado por um trator em aterro sanitário. A criança estava no local e acabou dormindo, quando foi atingido pelo trator, que estava recolhendo o material para reciclagem. A vítima teve morte imediata. O caso gerou comoção e intensificou a pressão de órgãos como o Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público do Estado (MPPI) e Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI), que se reuniram com a Prefeitura da capital no dia 2 de julho para exigir medidas concretas para o encerramento das atividades do lixão.

Segundo o procurador do MPT, Carlos Henrique Leite, a gestão municipal se comprometeu a desativar o local e direcionar os resíduos para aterros privados. Há também sinalização da Prefeitura quanto à abertura de uma licitação para instalação de aterros sanitários, conforme apontado por Pedro Maranhão.

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Outros casos graves

O alerta nacional da Abrema é reforçado por tragédias recentes, como o desmoronamento ocorrido no dia 18 de junho, em Padre Bernardo (GO), quando cerca de 40 mil metros cúbicos de resíduos vazaram de um aterro sanitário privado e atingiram uma área de preservação ambiental, poluindo o Córrego Santa Bárbara com chorume. A Justiça determinou a interdição do local, mas os impactos seguem sendo avaliados.

Já em Goiânia, a situação também é crítica. Relatório da Secretaria de Meio Ambiente de Goiás identificou ao menos 12 falhas graves no local utilizado como aterro, incluindo ausência de licença ambiental válida, falhas na impermeabilização e risco de deslizamentos. O Ministério Público de Goiás já acionou a Justiça, que determinou o fechamento gradual da área.

Em Manaus, a situação também preocupa. Segundo a Abrema, a capital amazonense ainda direciona seus resíduos a um lixão, embora esteja em andamento a construção do Centro de Tratamento e Transformação de Resíduos (CTTR), uma iniciativa da iniciativa privada que prevê o aproveitamento dos gases gerados pela decomposição do lixo. A obra está com um terço da estrutura concluída.

Alerta à sociedade

Para Pedro Maranhão, o maior desafio é conscientizar a sociedade sobre os perigos da má gestão do lixo. “A pessoa põe o lixo na porta da sua casa e não quer saber o que acontece com ele. É necessário exigir do gestor público uma solução ambientalmente correta”, pontua.

O presidente da Abrema também critica o uso do termo “aterro controlado”, que segundo ele, mascara a realidade de lixões irregulares. “Se o local não trata chorume, não faz drenagem, não tem sistema de gaseificação, não é aterro sanitário”, reforça.

Ele cita como exemplo positivo a cidade de Porto Alegre (RS), onde mesmo com a enchente histórica registrada em 2023, o aterro da capital resistiu sem apresentar problemas estruturais, resultado de investimentos e cumprimento das normas técnicas.

Providências

A respeito das cidades citadas por Pedro Maranhão, há solicitações de entidades como o Ministério Público e governos para fechamento dos lixões. A expectativa agora é que os gestores municipais e estaduais tomem providências efetivas para substituir os lixões por estruturas que atendam às exigências legais e ambientais.

Fonte: Portal A10+ com informações da Agência Brasil

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