
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) retorna nesta terça-feira (14/10) às suas atividades na Câmara Municipal de Teresina, após decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), que concedeu liminar em habeas corpus revogando sua prisão domiciliar e o afastamento do mandato. A decisão foi proferida na última sexta-feira (10/10) pelo juiz José Maria Costa, atendendo ao pedido apresentado pelos advogados Samuel Castelo e Edson Vieira. Segundo a defesa, a decisão judicial autorizava o retorno imediato da parlamentar às funções legislativas. Com isso, Tatiana deverá estar presente já na sessão desta terça-feira e retomar normalmente os trabalhos parlamentares.
Com o retorno de Tatiana, o funcionamento do gabinete parlamentar também será restabelecido. De acordo com o advogado Edson Araújo, a parlamentar fará a solicitação de nomeações para recompor a equipe de assessores. A reestruturação obedecerá às determinações da Justiça Eleitoral, que proíbe o contato da vereadora com pessoas citadas no processo.
Ainda segundo a defesa, os assessores que estavam nomeados antes da prisão e que não constam no processo poderão ser reconduzidos aos cargos. Já os servidores mencionados nas investigações não retornarão, conforme decisão judicial. A expectativa é que o trabalho no gabinete seja retomado sem prejuízos.
O procurador-geral da Câmara, Pedro Rycardo, informou que o acesso da vereadora ao gabinete já foi liberado. Tatiana também está autorizada a indicar os novos assessores, desde que respeite as restrições impostas pela Justiça, especialmente no que diz respeito aos investigados e testemunhas do processo.
A decisão do TRE-PI também revogou todas as medidas cautelares anteriormente impostas à vereadora, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. A defesa informou que já protocolou o pedido para a retirada do equipamento, e que o processo está em andamento. Segundo os advogados, as novas cautelares não preveem o uso da tornozeleira, o que reforça o entendimento de que a vereadora não precisa mais utilizar o dispositivo.
Além disso, Tatiana segue impedida de manter contato com investigados, testemunhas e servidores relacionados ao caso. A defesa reconheceu que o descumprimento dessa determinação pode levar à retomada da prisão da parlamentar.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (13/10), o advogado Edson Araújo reafirmou que Tatiana Medeiros é inocente. Ele afirmou que, mesmo antes da anulação das provas consideradas ilícitas, a vereadora não apresentava qualquer envolvimento com os crimes apontados na denúncia. A defesa contestou desde o início o objeto da ação, especialmente no que se refere à suposta ligação da parlamentar com uma facção criminosa.
A equipe jurídica da vereadora considera que o inquérito policial não conseguiu estabelecer qualquer vínculo entre ela e o grupo investigado. Com a anulação das provas produzidas com base em relatório financeiro questionado judicialmente, a defesa acredita que o processo perdeu consistência e segue buscando a absolvição plena da vereadora.
Ainda de acordo com o advogado, Tatiana Medeiros enfrentou problemas de saúde durante o período em que esteve sob custódia. A situação se agravou enquanto esteve detida em uma unidade policial, mas apresentou significativa melhora após ser transferida para prisão domiciliar. Os advogados afirmaram que a parlamentar seguiu todas as orientações médicas e encontra-se atualmente em boas condições de saúde para reassumir seu mandato.
Com a liminar do TRE-PI, Tatiana deve participar normalmente da sessão plenária marcada para esta terça-feira, oficializando seu retorno às atividades legislativas na Câmara de Teresina.
Tatiana Medeiros foi presa no dia 3 de abril de 2025, por determinação do 1º Juízo de Garantias da Justiça Eleitoral do Piauí, no âmbito da segunda fase da Operação Escudo Eleitoral, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apontava indícios de que sua campanha eleitoral teria sido financiada por recursos oriundos do Bonde dos 40, facção criminosa com atuação no estado.
O caso começou a ganhar repercussão em novembro de 2024, quando o namorado da vereadora, Alandilson Passos, foi preso por suposto envolvimento com a mesma organização. Ele foi acusado de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A partir disso, as investigações avançaram para apurar se houve financiamento ilegal da campanha eleitoral de Tatiana, o que levou à sua prisão.
A parlamentar passou a responder por organização criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro, peculato e falsidade ideológica. Após sua prisão, todos os servidores de seu gabinete na Câmara Municipal foram exonerados.
Em 7 de outubro de 2025, o desembargador Pedro Macêdo, do Tribunal de Justiça do Piauí, determinou a anulação das provas produzidas com base em um relatório financeiro contestado pela defesa. A decisão levou à suspensão da audiência de instrução e julgamento, que estava prevista para acontecer entre os dias 13 e 17 de outubro.
Poucos dias depois, no dia (10/10), o TRE-PI decidiu pela soltura da vereadora, alegando que, com a anulação das provas, não havia fundamentos legais para a manutenção da prisão. A liminar também autorizou o retorno da parlamentar ao cargo de vereadora, condicionando o exercício da função ao cumprimento das novas medidas cautelares.
Tatiana Medeiros volta oficialmente às atividades legislativas nesta terça-feira, (14/10), marcando o reinício de sua atuação no parlamento municipal após mais de seis meses afastada.