
Em viagem oficial à Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira (23), que será candidato à reeleição nas eleições presidenciais de 2026. O petista afirmou estar preparado para disputar um quarto mandato e disse manter o mesmo vigor de décadas atrás.
“Quero dizer que vou completar 80 anos, mas pode ter certeza de que estou com a mesma energia de quando tinha 30. Vou disputar um quarto mandato no Brasil. Ainda vamos nos encontrar muitas vezes”, declarou Lula durante pronunciamento ao lado do presidente indonésio, Prabowo Subianto.
Continua após a publicidade
A fala marca uma mudança definitiva no tom de Lula sobre o futuro político. Em anos anteriores, o presidente havia afirmado não ter intenção de concorrer novamente e, depois, passou a dizer que ainda avaliava a possibilidade. Em julho, já havia sinalizado que, “se tudo der certo”, pretendia se tornar o primeiro chefe do Executivo brasileiro a ser eleito quatro vezes.
Durante o encontro, Lula e Prabowo anunciaram a intenção de aprofundar o diálogo e firmar novos acordos entre Brasil e Indonésia, incluindo um Acordo de Comércio Preferencial com o Mercosul.
“O Brasil tem interesse em ampliar a cooperação com a Indonésia nas mais diversas áreas. Os acordos que assinamos em estatística, agricultura, energia, ciência e tecnologia e promoção comercial apontam nessa direção”, escreveu o presidente nas redes sociais.
A Indonésia é atualmente o principal parceiro comercial do Brasil no Sudeste Asiático. O país ocupa a 16ª posição entre os destinos das exportações brasileiras e a 5ª no setor do agronegócio. Em 2024, o comércio bilateral atingiu um recorde de US$ 6,3 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 2,6 bilhões. Entre os principais produtos exportados estão farelo de soja (US$ 1,66 bilhão) e açúcares (US$ 1,65 bilhão), cada um representando cerca de 37% da pauta de exportações.
Lula também destacou o interesse em expandir parcerias em novas áreas.
“Queremos avançar não apenas no comércio, mas também em temas como inteligência artificial, datacenters, ciência e tecnologia, e aproximar nossas universidades”, afirmou.
Durante a visita, foram assinados acordos de cooperação nas áreas de energia e mineração, ciência e tecnologia, estatística, promoção comercial, além de medidas sanitárias e fitossanitárias na agricultura.
Por fim, o presidente manifestou o desejo de discutir formas de comercialização entre os países usando moedas locais, sem mencionar diretamente o dólar.