
Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Lucas Duarte ainda considera recente sua entrada no mercado editorial. O primeiro livro, Caso Seis, chegou aos leitores em 2025. Agora, apenas um ano depois, ele se prepara para apresentar Trem para Barrymore, uma obra que, segundo o próprio autor, representa um passo adiante em sua escrita e mergulha ainda mais profundamente nos gêneros que despertam sua criatividade.
“Embora eu escreva desde os meus 13 anos, a minha estreia no mercado literário em questões de publicação ainda é muito recente. Publiquei meu primeiro livro, Caso Seis, em 2025, e somente um ano depois já estou me preparando para o segundo lançamento, o que talvez seja um grande salto.”
O novo livro também chega acompanhado de uma expectativa maior. Lucas conta que o tradicional “frio na barriga” permanece, mas agora existe uma ansiedade especial para descobrir como os leitores vão reagir à história.
“Apesar das incertezas, tenho muito orgulho do trabalho que fiz com esse novo livro, com a ajuda de todo mundo que também possibilitou que ele nascesse. Diferente do primeiro lançamento, existe uma ansiedade ainda maior pra saber se ele vai impactar os leitores tanto quanto me impactou enquanto eu escrevia.”
A relação de Lucas com o audiovisual também ajuda a explicar sua maneira de construir histórias. Em formação na área, ele afirma que costuma imaginar cenas como se já estivesse diante de um filme ou de uma série. Para ele, literatura e cinema caminham lado a lado.

“Desde pequeno escrevo minhas histórias tentando visualizá-las como filmes ou séries. É um dos detalhes mais divertidos no meu processo criativo e sempre me ajudou a me divertir mais enquanto escrevo.”
Recentemente, Lucas roteirizou e dirigiu o último filme produzido durante sua graduação. A experiência, segundo ele, representa uma espécie de homenagem ao período universitário e às pessoas que fizeram parte dessa trajetória.
“Ele é uma carta de amor ao período da graduação e a todo mundo que esteve comigo durante esse tempo, que coincide, por acaso, com a época em que publiquei os meus dois livros.”
A intenção é continuar transitando entre as duas linguagens. Para o próximo ano, o escritor já pensa em novas histórias que poderão ganhar as páginas dos livros ou as telas do cinema. Uma coisa, porém, parece definida: o suspense, a ficção científica e o horror continuarão presentes.
“Vejo a literatura e o cinema como tipos de arte muito vivos em mim ultimamente. Não pretendo me distanciar tão cedo dos gêneros de mistério, ficção científica e horror. É o que me faz ter mais vontade de criar!”
Para Lucas, escrever no Brasil é viver uma contradição. Ao mesmo tempo em que considera ser escritor uma das melhores coisas que poderia desejar, reconhece os desafios de um mercado marcado pelo baixo hábito de leitura e pela necessidade de ampliar o incentivo à literatura nacional.
“Ser escritor no Brasil é a melhor coisa que eu poderia querer, e às vezes a pior. Estamos falando de um país em que ainda se lê muito pouco, especialmente obras nacionais, e no qual o incentivo à escrita e à leitura ainda necessita de uma estrutura mais robusta.”
Nesse caminho, o apoio familiar e dos amigos teve papel fundamental. Lucas lembra que seus pais sempre incentivaram sua criatividade, desde os primeiros textos, e também apoiaram a decisão de estudar Cinema, mesmo diante das incertezas profissionais da área.
“Acho que o sentimento de insegurança é algo que persegue todo escritor brasileiro hoje em dia, mas posso dizer com facilidade que não me arrependo de ter começado.”
E se existe um gênero que pode ser considerado sua casa literária, é o suspense. Lucas se interessa especialmente pela maneira como situações extremas revelam o comportamento dos personagens e colocam o leitor diante do medo, da tensão e da aflição.
“O suspense é com toda certeza a minha zona de conforto na escrita. O que me atrai nesse gênero é a possibilidade de enxergarmos personagens como eles realmente agiriam em situações de extremo medo e desconforto. É trabalhar o exagero.”
Essa paixão pelo horror também aparece em Trem para Barrymore, mas a nova obra traz outro elemento que orgulha particularmente o escritor: a representatividade queer.
Lucas conta que, quando adolescente, sentia insegurança para criar personagens que refletissem essa dimensão de sua identidade e de suas próprias descobertas. Hoje, ele afirma ter encontrado maior liberdade para desenvolver esses personagens com sensibilidade.

“Eu escrevi o meu primeiro livro quando ainda era adolescente, e confesso que existia uma insegurança em representar personagens queer, muito porque essa insegurança acompanha o meu próprio crescimento e a minha passagem pelas descobertas daquela idade. Hoje, tenho orgulho de dizer que quase metade dos personagens do novo livro são pessoas que representam quem eu sou, e fiz questão de desenvolvê-los de maneira sensível e carinhosa, mesmo se tratando de um livro de terror.”
A trajetória literária de Lucas começou com Caso Seis, um suspense de atmosfera adolescente. A história acompanha um grupo de jovens em uma escola isolada, envolvidos na investigação de um mistério e acusados de um crime que afirmam não ter cometido.
Já Trem para Barrymore amplia a aposta no suspense. A trama coloca os personagens durante sete dias dentro de um trem ameaçado por um abismo, enquanto um assassino permanece à solta. O resultado é uma viagem que promete combinar isolamento, perigo e tensão.
“Se você procura um mistério mais adolescente, com direito ao típico grupinho de adolescentes que vive numa escola isolada, resolvendo mistérios de madrugada e sendo acusados de um crime que não cometeram, então Caso Seis é a melhor opção. Agora, se a pedida é um Thriller/Suspense que te carrega para uma viagem amaldiçoada, passando sete dias preso dentro de um trem que está à beira de um abismo e com um assassino à solta, Trem para Barrymore vai te surpreender.”
O novo livro estará disponível a partir de 14 de setembro no site da Editora Flyve e, em outubro, chegará às demais lojas e livrarias. Caso Seis já pode ser encontrado no site da editora e em plataformas como Amazon e Mercado Livre.
Antes do lançamento, Lucas também estará em um dos principais eventos literários do país. Nos dias 11 e 12 de setembro, o escritor participa da Bienal do Livro de São Paulo, no estande da Editora Flyve, localizado no espaço A80.
Com uma carreira ainda em construção, Lucas Duarte parece ter encontrado na combinação entre literatura e cinema o caminho para contar as histórias que sempre imaginou. Entre assassinos, viagens amaldiçoadas, personagens adolescentes e situações de extremo medo, o escritor aposta justamente naquilo que mais gosta: provocar no leitor a vontade de virar a próxima página, mesmo quando ela pode esconder algo assustador.
Para adquirir o livro no site da editora Flyve: https://flyve.com.br/
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