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Peixe pré-histórico de 280 milhões de anos é batizado em homenagem a Nazária
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11/09/2026 08h28
Por: Redação Fala Piauí Fonte: cidadeverde.com
Foto: Divulgação

Um peixe de apenas cerca de 20 centímetros que viveu no Piauí há aproximadamente 280 milhões de anos acaba de ganhar um nome na história da ciência. Pesquisadores descreveram uma nova espécie pré-histórica encontrada no município de Nazária, a cerca de 35 km de Teresina.

Batizada de Nazaria limnica, a espécie viveu durante o Período Permiano, na Era Paleozoica, quando a região onde hoje está o Piauí tinha características muito diferentes das atuais. A descoberta foi feita a partir de dois fósseis encontrados em 2018 e descrita em um estudo publicado na revista internacional Journal of Vertebrate Palaeontology.

A pesquisa tem participação do professor Juan Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), e reúne pesquisadores de diferentes instituições. Os fósseis permanecem atualmente na coleção científica do Museu de Arqueologia e Paleontologia da UFPI.

Dois fósseis ajudaram a reconstruir o peixe

Foto: Reprodução / UFPI

Os exemplares foram encontrados no mesmo dia, em março de 2018, durante uma expedição paleontológica em Nazária.

Um dos fósseis preserva o crânio e parte do tronco do animal. O segundo apresenta outra porção do tronco e a cauda. Juntos, os materiais permitiram aos pesquisadores conhecer praticamente todo o esqueleto da nova espécie.

O trabalho de identificação começou depois da preparação dos fósseis no Laboratório de Paleontologia do Centro de Ciências da Natureza da UFPI.

“O estudo precisou de trabalhos de limpeza e conservação nos dois fósseis encontrados. Isso foi feito no Laboratório de Paleontologia do CCN”, explicou Juan Cisneros.

Depois da preparação, os pesquisadores compararam os exemplares com fósseis de peixes mantidos em museus do Brasil e do exterior. Também produziram desenhos técnicos para identificar os ossos preservados.

“Depois foram realizadas comparações com fósseis de peixes em outros museus do Brasil e do exterior. Foram elaborados desenhos técnicos com a identificação de cada osso presente nos fósseis”, afirmou o pesquisador.

A equipe ainda realizou análises para entender as relações evolutivas da nova espécie com outros peixes extintos. Para isso, utilizou o software TNT, empregado em estudos de sistemática e filogenia.

Peixe vivia em um antigo lago no Piauí

A descoberta ajuda a reconstruir não apenas a aparência do animal, mas também o ambiente onde ele viveu.

Durante o Permiano, a região que hoje corresponde ao Piauí abrigava um grande lago alcalino, onde diferentes espécies faziam parte de uma complexa cadeia ecológica.

Nazaria limnica era um peixe ósseo que se alimentava de pequenos crustáceos que viviam no fundo do lago. Ao mesmo tempo, servia de alimento para predadores maiores.

O próprio nome da espécie faz referência a esse ambiente: Nazaria homenageia o município de Nazária, onde os fósseis foram encontrados, enquanto limnica vem do grego e faz referência a lago.

Os registros ajudam os pesquisadores a compreender como era a biodiversidade do Piauí há centenas de milhões de anos. O antigo lago era cercado por uma floresta cujos registros fossilizados são encontrados atualmente às margens do Rio Poti, em Teresina.

Mesma idade da Floresta Fóssil

O peixe viveu há aproximadamente 280 milhões de anos, período que corresponde aproximadamente à mesma idade dos registros da Floresta Fóssil do Rio Poti, em Teresina.

A descoberta, portanto, acrescenta uma nova peça ao cenário pré-histórico do território piauiense: além das plantas fossilizadas que hoje podem ser observadas na capital, os pesquisadores também conseguem identificar os animais que habitavam os ambientes aquáticos da região.

Fósseis continuam no Piauí

Foto: Reprodução / UFPI

Os dois fósseis utilizados para descrever a nova espécie permanecem na Universidade Federal do Piauí e integram a coleção científica do Museu de Arqueologia e Paleontologia da instituição.

Para Juan Cisneros, manter os exemplares no estado é importante tanto para a preservação do patrimônio paleontológico quanto para futuras pesquisas.

“A preservação dos exemplares na Universidade contribui para a manutenção do patrimônio paleontológico do Estado e permite que o material continue disponível para novas pesquisas.”

Segundo o pesquisador, a descrição de Nazaria limnica representa mais um registro da história da vida no Piauí.

“A descoberta de Nazaria limnica acrescenta um novo registro à história da vida no Piauí e reforça a importância das pesquisas paleontológicas para a compreensão dos ambientes que existiram no território há centenas de milhões de anos”, concluiu.

O estudo teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Prefeitura de Nazária.