
A história da antiga Usina Santana, dos trabalhadores que ajudaram a construir sua trajetória e da comunidade que nasceu e cresceu ao redor dela ganhou vida nas telas com a estreia de Entre o Fogo e a Cana. O longa-metragem piauiense, idealizado por Teodorico Júnior, dirigido por Eduardo Prazeres e produzido pela VR Produções, foi apresentado ao público no dia 21 de julho, no Teatro Torquato Neto, no Clube dos Diários, em Teresina.

A sessão reuniu cerca de 200 pessoas, entre moradores, ex-moradores e familiares de pessoas que viveram na região da antiga usina, além de artistas, produtores, realizadores e críticos de cinema. A estreia também contou com a presença de nomes reconhecidos do audiovisual piauiense, como Cícero Filho, Chiquinho Pereira e Hasley Andrade.
A emoção tomou conta da sessão principalmente entre aqueles que possuem uma relação direta com a história retratada. Durante a exibição, espectadores se reconheceram em cenas, personagens e situações apresentadas pelo filme. Os relatos compartilhados após a sessão e a recepção calorosa do público reforçaram a força de uma obra que ultrapassa a ficção para se transformar em registro de memória.

Para Teodorico Júnior, idealizador do projeto e protagonista da produção, a inspiração para transformar a história da Usina Santana em filme nasceu de uma relação pessoal com o lugar.
“O processo criativo de Entre o Fogo e a Cana nasceu de uma ligação muito pessoal com a história da Usina Santana. Nasci e cresci na região, ouvindo meus pais, familiares e antigos moradores contarem histórias sobre a usina, sobre o trabalho, as amizades e a vida que existia naquele lugar.”

A partir dessas memórias, surgiu o desejo de preservar histórias que poderiam desaparecer com o passar das gerações.
“Não queria que toda essa riqueza permanecesse apenas na memória de quem viveu aquela época. Queria que essas histórias ganhassem vida novamente e pudessem ser conhecidas também pelas novas gerações. Foi desse desejo que surgiu a ideia de Entre o Fogo e a Cana.”

Ambientado entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980, o longa acompanha Pedro, personagem interpretado pelo próprio Teodorico Júnior, que chega à Usina Santana em busca de uma nova oportunidade de vida. A partir de sua trajetória, o público conhece o cotidiano dos trabalhadores, as relações construídas na comunidade e as transformações provocadas pelo encerramento das atividades da usina.
Na narrativa, Pedro também vive um romance com Maria Luiza, personagem cujo nome faz referência a uma das vilas da região da Usina Santana. A história de amor funciona como fio condutor para apresentar ao espectador os diferentes espaços que fizeram parte da rotina da comunidade, como os canaviais, a indústria, as caldeiras e os antigos maquinários.

“Embora seja um personagem fictício, Pedro funciona como um elo entre o público e a história da Usina Santana. À medida que a relação entre Pedro e Maria Luiza se desenvolve, o espectador percorre junto com eles os diversos espaços da usina.”
Mais do que uma obra cinematográfica, Entre o Fogo e a Cana se propõe a preservar um patrimônio afetivo e cultural do Piauí. A produção aborda temas como pertencimento, identidade, dignidade, trabalho, memória e transformação social, colocando no centro da narrativa pessoas e experiências que fizeram parte da construção de uma comunidade.

“Mais do que contar uma história, o filme busca preservar um patrimônio afetivo e cultural do Piauí. A emocionante recepção na estreia confirmou que esse objetivo foi alcançado. Ver antigos moradores se reconhecerem nas cenas e se emocionarem com a obra foi uma das maiores recompensas de todo esse trabalho.”
A produção também representa um momento importante para o fortalecimento do audiovisual piauiense. Filmes realizados no estado movimentam uma cadeia que envolve atores, diretores, roteiristas, produtores, técnicos, profissionais de fotografia, som, maquiagem, figurino e direção de arte, entre diversas outras áreas da economia criativa.
Nesse cenário, Entre o Fogo e a Cana evidencia como o cinema pode atuar simultaneamente na preservação da memória e na movimentação do mercado cultural. Ao colocar uma história genuinamente piauiense nas telas, o projeto contribui para ampliar a produção local e aproximar o público de narrativas que dialogam diretamente com sua identidade e suas raízes.
A estreia também revelou a existência de um público interessado em prestigiar produções realizadas no próprio estado. A identificação dos espectadores com os personagens e os acontecimentos retratados demonstrou a força de histórias locais quando encontram espaço no cinema.
Após a estreia, o longa inicia uma nova etapa. A produção prevê participação em festivais de cinema em diferentes estados brasileiros e sessões em escolas e instituições culturais, ampliando o alcance da obra como instrumento de educação, cultura e preservação da memória.
O filme também terá novas exibições públicas durante o mês de agosto, no Sesc Cajuína e no Teatro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), com as datas ainda a serem divulgadas.
A disponibilização gratuita no YouTube também está prevista, mas somente depois da conclusão do circuito de festivais e exibições presenciais.

“Somente após esse circuito de exibições e festivais, o longa-metragem será disponibilizado gratuitamente no YouTube, para que o público de todo o país possa conhecer essa história.”
Com a chegada de Entre o Fogo e a Cana às telas, a história da Usina Santana ganha uma nova forma de existir. O que antes permanecia principalmente nas lembranças de antigos moradores agora passa a integrar também o registro audiovisual do Piauí, permitindo que novas gerações conheçam um passado marcado pelo trabalho, pelas relações humanas e pela construção de uma comunidade que deixou sua marca na história do estado.