
A violência contra a mulher ainda atravessa a rotina de muitas famílias brasileiras e, diante dessa realidade, informação, acolhimento e fortalecimento da rede de proteção são ferramentas fundamentais para enfrentar o problema. Em Picos, a mobilização do Agosto Lilás ganhou uma programação especial entre os dias 24 e 28 de agosto, com ações voltadas à prevenção e ao combate à violência contra a mulher.

Com o tema “Toda mulher merece viver sem violência — De Mulher para Mulher: respeito, proteção e conscientização”, a iniciativa é realizada pelo Espaço de Acolhimento De Mulher para Mulher e reúne órgãos públicos, instituições de ensino, entidades da sociedade civil e serviços especializados.

A programação pretende aproximar a população dos mecanismos de proteção, orientar mulheres sobre seus direitos e fortalecer a articulação entre as instituições que integram a rede de enfrentamento à violência.
A abertura da programação aconteceu nesta segunda-feira (24), na Câmara Municipal de Picos, com roda de conversa e palestra. Ao longo da semana, as atividades serão descentralizadas e chegarão a escolas, associações de moradores e órgãos públicos. Também está prevista uma blitz educativa.

A iniciativa foi instituída por meio de projeto de lei apresentado pela vereadora Dalva Mocó (PSB), com apoio das demais vereadoras da Câmara Municipal.
“Esse evento, a Semana Municipal de Combate à Mulher dentro do Agosto Lilás, é um projeto de lei apresentado por mim e assinado em conjunto com as quatro vereadoras desta casa, criando e instituindo no âmbito do município a semana de combate à violência contra a mulher, para que anualmente seja realizado”, explicou Dalva.
Segundo a parlamentar, a proposta é fazer com que a discussão não fique restrita aos espaços institucionais.

“O propósito é trazer informação para as mulheres, fortalecer a rede de apoio local, conscientizar a população e fazer um chamamento de que essa responsabilidade é de todos.”
A programação conta com a participação de instituições como Defensoria Pública, Ministério Público, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Patrulha Maria da Penha, Polícia Militar, OAB, UESPI, secretarias municipais, entidades de mulheres, além de instituições ligadas à saúde, educação, assistência social e empreendedorismo.
Para Dalva Mocó, o enfrentamento à violência passa necessariamente pelo diálogo entre as instituições e pela ampliação do acesso à informação.

“Temos diversos parceiros. O principal é a Câmara Municipal, mas temos parcerias com as secretarias de Ação Social, Saúde, Trânsito e Cultura, além do fórum e associações de mulheres, UMP, OAB e vários outros parceiros.”
A vereadora destaca ainda que os dados mais recentes levantados sobre a violência contra a mulher no município apontaram redução em relação ao ano anterior. Para ela, embora o resultado seja positivo, o objetivo precisa ser ainda maior.
“O passo é diminuir. Esperamos que, através do diálogo, da informação e com mais visibilidade, a população possa ser conscientizada.”

A proposta também é reforçar que mulheres em situação de violência não estão sozinhas e que existem serviços especializados para acolher, orientar e encaminhar cada caso.
A mobilização também conta com a participação do Fórum de Mulheres de Picos no Front da Resistência, criado em janeiro deste ano com o objetivo de fortalecer a atuação do movimento de mulheres no município.

A coordenadora da União de Mulheres do Piauí (UMP), Teresa Wenzel, lembra que a luta pelos direitos das mulheres em Picos possui uma história construída ao longo de décadas.

“O fórum de mulheres foi criado este ano, no dia 13 de janeiro de 2026, pois a gente precisava fortalecer ainda mais o movimento de mulheres. Pensávamos em um comitê, mas decidimos por um fórum como frente da resistência.”
Teresa ressalta que a mobilização não começou agora e cita a atuação histórica de movimentos femininos em Picos desde a década de 1980.

“A luta das mulheres em Picos começou na década de 80 com a UMP, com o movimento de mulheres da Zona Leste. Nunca deixamos de apoiar o direito à vida das mulheres do estado do Piauí.”
Para ela, a criação da Semana Municipal de Combate à Violência contra a Mulher representa mais um espaço para ampliar essa luta.
“O que me deixa feliz é que as vereadoras propuseram essa semana no mês de agosto para combater seja qual for o tipo de violência. A mulher pode e deve fazer o que ela quiser, independentemente do gênero.”
Ao final, Teresa deixa um convite para que mais mulheres participem do movimento.

“Queremos convidar você, mulher, dona de casa, sindicalista, comerciante, médica: venha fazer parte dessa luta!”
“É um movimento de todos”, afirma Noemia Marques
A vereadora Noemia Marques (PP) também destacou a importância da união entre o Legislativo, instituições públicas e movimentos sociais para ampliar a proteção às mulheres.
“O fórum é muito importante. É uma instituição que vem para defender os direitos e a vida da mulher. Esse movimento que hoje existe na Câmara de Picos é resultado da união das vereadoras e vereadores que, juntamente conosco, assinaram e apoiaram a propositura da vereadora Dalva Mocó.”
Segundo Noemia, a programação representa uma mobilização do Poder Legislativo em defesa da vida das mulheres e não ficará concentrada na sede da Câmara.
“É uma semana que significa que o Legislativo está em movimento pela vida da mulher. Hoje teremos a abertura, mas, no decorrer da semana, as ações serão descentralizadas e levadas para os bairros.”
A vereadora reforça que o combate à violência não deve ser encarado como uma responsabilidade exclusiva das mulheres ou dos órgãos especializados.
“É um movimento de conscientização da sociedade, é uma coisa de todos, de homens e mulheres.”
Para Noemia, mesmo quem não consegue participar presencialmente das atividades pode contribuir para ampliar essa mensagem.

“Nossa expectativa é que essa mensagem chegue a muitas mulheres. Ainda é horário de expediente, muitas mulheres estão saindo dos seus trabalhos, mas as que não podem estar aqui que ouçam nossas falas pelos meios de comunicação. A partir dessa ação, vamos plantar uma semente no coração de cada um que está ouvindo e que possa defender a vida das mulheres.
A programação segue até 28 de agosto, com ações de informação, prevenção, acolhimento, conscientização e fortalecimento da rede de proteção. Mais do que marcar o Agosto Lilás, a iniciativa busca fazer com que a discussão sobre violência contra a mulher permaneça presente durante todo o ano.
